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Brasileira relata incerteza em Doha e preocupação com saúde da avó após cancelamento de voo

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A moradora de Campinas (SP), Danielle Sarabia, e sua avó estão retidas em Doha, capital do Catar, desde o dia 28 de fevereiro. O cancelamento do voo de conexão para o Brasil ocorreu enquanto elas retornavam de uma viagem de três meses ao Japão.

O voo tinha uma escala de 18 horas no Catar. Após o cancelamento, a companhia aérea direcionou as passageiras para um hotel, uma vez que a permanência no aeroporto ultrapassava 24 horas. Desde então, não há previsão de embarque para o Brasil, conforme informou Danielle.

A principal preocupação de Danielle é com a saúde da avó, que possui diabetes. Ela relatou que o índice glicêmico da avó tem se mantido alto, mesmo com a administração de remédios e insulina, o que ela atribui ao estresse da situação. Paramédicos foram ao hotel para avaliar a saúde da avó e tentaram tranquilizar a família, mas o controle da diabetes continua difícil. Danielle disse que está tentando “racionalizar para não desmoronar” e desabafou: “Só vou relaxar quando chegar em casa”.

O espaço aéreo de Israel, Irã, Emirados Árabes e Catar foi fechado após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, o que impactou rotas internacionais e forçou empresas a redirecionar ou cancelar operações.

O conflito começou com bombardeios dos EUA e de Israel contra o território iraniano em 28 de fevereiro, resultando na morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e de autoridades militares do país. Em resposta, o Irã lançou ataques contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas.

Danielle relatou que, após 24 horas no terminal, funcionários informaram que todos os passageiros em trânsito seriam removidos do aeroporto. “Chegou uma movimentação estranha, as pessoas fazendo fila… Aí olhei e os voos haviam sido cancelados. Disseram que não podia ficar mais de 24 horas no aeroporto e começaram a mandar para hotel”, contou.

A companhia aérea providenciou hospedagem e alimentação, mas a incerteza sobre o retorno ao Brasil persiste. “Sem perspectiva nenhuma de quando retornar ao Brasil”, afirmou Danielle. Ela mencionou que alguns voos foram liberados para outros países, mas o Brasil ainda não tomou medidas nesse sentido.

Danielle também relatou que ouviu alarmes de alerta e, de longe, o barulho de explosões. “Já presenciamos de ouvir os alarmes, mas nada muito visceral”, disse. Ela expressou a frustração de ter dias de esperança seguidos por momentos de desânimo ao ouvir bombardeios.

Ela buscou a embaixada brasileira em Doha para obter apoio com medicação, mas recebeu a orientação de comprar os remédios necessários por aplicativo. A compra foi feita pela família, já que não houve fornecimento via representação brasileira. Danielle afirmou que tem encontrado dificuldades para obter atualizações da embaixada e do Itamaraty.

Ela lamentou a falta de assistência médica e a comunicação limitada da embaixada, que apenas oferece orientações. “Causa esse sentimento de desamparo, ansiedade, e não saber quando a gente vai conseguir voltar para casa”, desabafou.

Danielle soube de outros brasileiros que tentaram embarcar em voos de repatriação para cidades europeias, mas os voos já estavam lotados. Ela ressaltou a importância de uma ação governamental para retirar os repatriados. Também ouviu relatos de brasileiros tentando realizar o trajeto por terra até a Arábia Saudita, onde o aeroporto está em funcionamento, embora essa alternativa não seja recomendada pelas autoridades.

O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha a situação de brasileiros no Oriente Médio e presta assistência consular por meio de embaixadas na região. O governo mantém contato com autoridades locais e outras embaixadas para monitorar a segurança e orientar cidadãos. O Itamaraty está em contato com as autoridades do Catar para retomar a rota Doha-São Paulo e negocia transporte terrestre seguro até o aeroporto na Arábia Saudita.

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