O ano de 2025 deu sinais de uma tendência curiosa no mercado da moda no Brasil. Segundo projeções, o setor de vestuário pode ter movimentado R$ 396 bilhões no país no último ano, o que representa um crescimento aproximado de 6% em relação ao ano anterior.
No entanto, o volume de peças vendidas no mercado não cresceu no mesmo ritmo, apesar de ter aumentado. De acordo com dados do IEMI – Inteligência de Mercado, o consumidor brasileiro adquiriu cerca de 6,4 bilhões de peças ao longo do ano, um crescimento de 3,1%.
Ou seja: o brasileiro está comprando menos vezes, mas gastando com peças mais caras. O que explica essa tendência?
O armário cápsula começa a ser tendência

Uma tendência que ajuda a explicar os dados do mercado da moda no Brasil é o armário cápsula. Trata-se do movimento de ter um guarda-roupas com poucas peças, mas estratégicas, que permitam criar um número grande de combinações com pouco esforço.
Essas peças tendem a ser de maior qualidade, fora da bolha do fast fashion, justamente para durar por mais tempo e maximizar os benefícios do armário cápsula.
Um exemplo são as camisetas tech: peças básicas, de cores neutras, feitas com tecidos que não amassam e evitam odores. São opções que combinam com uma grande variedade de contextos, do trabalho a um passeio casual.
Inclusive, existem marcas nacionais que se destacaram justamente por oferecer peças minimalistas para guarda-roupas mais enxutos, como a Insider ou a Minimal Club.
O novo minimalismo: o retorno do “menos é mais”
O minimalismo não é uma tendência nova, mas vive um momento de renovação. Em várias áreas, consumidores e empresas estão redescobrindo o apelo do simples, não por necessidade, mas por escolha estética e cultural.
Na tecnologia, vemos isso no design de produtos como o da Apple, historicamente minimalista, que continua sendo referência global. O recém-lançado iPhone Air, por exemplo, se destaca justamente por ser mais fino do que o normal e ter um design ainda mais minimalista do que o padrão da marca.
Até o mercado de iGaming começa a refletir isso. Títulos com mecânicas simples e design despojado chamam a atenção em um mercado que costuma ser visualmente atulhado. Um exemplo é o jogo Aviator da Spribe: a tela mostra quase nada além de um avião e um botão, com uma estética que remete aos jogos clássicos. É justamente essa simplicidade visual que ajuda a compor o apelo do jogo, sem distrações, sem excesso.
Essa tendência minimalista acaba se espalhando na semiótica da sociedade. No design gráfico e na comunicação visual, a tendência do “retrô minimalismo” ganhou força: marcas estão simplificando seus logos, reduzindo paletas de cores e apostando em composições com muito espaço em branco, seguindo uma reação ao excesso visual do ambiente digital.
Inevitavelmente, a tendência acaba chegando ao guarda-roupa das pessoas também, que refletem o que enxergam em todas as áreas.
O minimalismo parece ser uma resposta prática a um mundo com excesso de opções. Quanto mais simples para as pessoas, mais elas se engajam com o que realmente importa para elas. Resta ver por quanto tempo a tendência se mantém.

