Brasília será homenageada com o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural durante um evento internacional que ocorrerá de 11 a 13 de março de 2026. O evento, que acontece no Salão Nobre do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, tem como objetivo discutir estratégias conjuntas para a proteção dos patrimônios material e imaterial, além de inovações em políticas públicas.
O encontro é promovido pelo Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI) e contará com o intercâmbio de boas práticas de gestão entre as cidades participantes, visando fortalecer a identidade histórica urbana. O secretário de Relações Internacionais do DF, Paco Britto, destacou que o novo título amplia a projeção internacional de Brasília como capital do diálogo, da diplomacia e da preservação do patrimônio.
Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987, quando recebeu o título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O evento abordará eixos temáticos que darão continuidade às discussões iniciadas em Lima, Peru, em 2025. Ao final do encontro, o grupo de discussão pretende apresentar uma Carta de Compromisso comum sobre a preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural.
A UCCI é composta por 29 cidades de 24 países ibero-americanos, permitindo que as cidades compartilhem experiências e enfrentem desafios comuns. Além de Brasília, o Brasil é representado por São Paulo e Rio de Janeiro, que juntas somam 76 milhões de habitantes que falam espanhol e português.
A pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou que Brasília possui valores culturais únicos e é reconhecida internacionalmente pela sua arquitetura e pelos processos culturais. Ela destacou a diversidade cultural da cidade, que inclui influências de todo o país.
No entanto, Nardelli observou que, após quatro anos da inauguração da cidade, especialmente durante a ditadura militar (1964 – 1985), não havia legislação para a manutenção do patrimônio. A situação começou a mudar com o título da Unesco em 1987, que reconheceu a memória como patrimônio. Apesar da aprovação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) há dois anos, a pesquisadora acredita que são necessários mais recursos e políticas públicas para garantir a proteção e a manutenção do patrimônio na capital.

