BRB busca novo prazo para balanço enquanto negocia venda de imóveis do GDF

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O BRB (Banco Regional de Brasília) está em negociações com o Banco Central para obter um novo prazo para a divulgação de seu balanço de 2025, cuja data limite é 31 de março. A instituição busca resolver um impasse jurídico relacionado à venda de imóveis do governo do Distrito Federal antes de apresentar seu plano de recomposição de capital ao mercado.

A divulgação do balanço depende da realização de uma Assembleia Geral Extraordinária, onde o BRB apresentará sua proposta final de capitalização aos acionistas. Devido às incertezas nas decisões judiciais ao longo da semana, o conselho do BRB decidiu cancelar a reunião que estava agendada para a última quarta-feira, dia 18.

Atualmente, o BRB aguarda o resultado das negociações com o Banco Central para agendar uma nova data para a Assembleia Geral Extraordinária. O uso de imóveis e ativos de estatais como Terracap, CEB e Caesb como garantia do BRB foi autorizado por uma lei sancionada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), mas essa autorização foi contestada pela 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal.

No dia 17 de março, o desembargador Roberval Belinati, do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios), derrubou a decisão de primeira instância que impedia o GDF de utilizar imóveis para cobrir o déficit gerado no BRB após o Caso Master. Apesar do impasse jurídico, a principal alternativa de capitalização do BRB continua sendo a criação de um fundo imobiliário com os imóveis do governo do Distrito Federal, que é considerada a opção mais vantajosa por não gerar custos adicionais.

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A lei que permite o uso de imóveis públicos como garantia do BRB lista nove ativos. Fontes informaram que as negociações com investidores já estão avançadas. O banco precisa de uma capitalização de R$ 6,6 bilhões para melhorar seus indicadores de saúde financeira, como o Índice de Basileia, que mede a capacidade do banco de suportar riscos e proteger os depósitos dos clientes.

A expectativa é que a maior parte da capitalização venha da venda de imóveis. No entanto, interlocutores acreditam que o fundo imobiliário pode não ser suficiente para cobrir todo o montante necessário, devido a pendências jurídicas em algumas propriedades. O que faltar será complementado por um empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou de um grupo de bancos.

As tratativas para a operação com o fundo estão em andamento, mas a venda dos imóveis e a definição do volume do empréstimo dependem da resolução do impasse jurídico. Desde a troca de gestão, o BRB contratou uma auditoria externa independente para revisar as operações com o Banco Master, que está sob investigação da Polícia Federal por fraudes no sistema financeiro. Fontes indicaram que a auditoria deve ser concluída até o final de março.

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