O Banco de Brasília (BRB) está buscando na Justiça o valor de R$ 978.352,60, referente a créditos consignados tomados pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa. Ele é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de irregularidades em transações entre o BRB e o Banco Master.
O montante está distribuído em 11 empréstimos consignados que foram contratados entre novembro de 2020 e janeiro de 2024, período em que Costa estava à frente do BRB. O banco alega que ele deixou de pagar as parcelas desde que saiu da presidência em novembro de 2025, o que acarreta na cobrança do valor integral dos contratos.
De acordo com o cronograma original, os R$ 978,3 mil deveriam ser quitados em parcelas ao longo dos próximos anos, com pagamentos previstos até 2035. O processo foi protocolado na 16ª Vara Cível de Brasília no dia 11 de março de 2026. No dia seguinte, a Justiça determinou que Paulo Henrique fosse notificado sobre a demanda e a necessidade de quitar a dívida.
Além dessa dívida, há outra cobrança relacionada a empréstimos pessoais no valor de R$ 799.435,79. Essa informação foi revelada em uma ação judicial também protocolada no dia 11 de março, onde se aponta que Costa deixou de pagar as parcelas de quatro empréstimos contraídos entre junho de 2021 e outubro de 2024.
As tabelas anexadas ao processo indicam que as parcelas não foram pagas desde dezembro de 2025, mês em que Costa foi afastado e demitido em decorrência da operação Compliance Zero. O BRB solicita à Justiça a expedição de um mandado de citação, penhora e avaliação contra Paulo Henrique, visando a penhora de seus bens para saldar a dívida.
Se não forem encontrados bens, o banco pede que 30% do salário de Paulo Henrique seja penhorado. Ele é funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal.
Paulo Henrique Costa é alvo de investigações no STF relacionadas à tentativa do BRB de adquirir o Banco Master, negociação que foi barrada pelo Banco Central no ano anterior. O BRB já havia adquirido papéis do Master, resultando em um prejuízo estimado em R$ 5 bilhões.
A Polícia Federal também investiga a venda de ações do BRB a outros envolvidos no caso, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Master, e o empresário João Carlos Mansur, da gestora de fundos Reag, que também é suspeita de fraudes.
Uma auditoria externa contratada pela nova gestão do BRB e enviada à Polícia Federal revelou que Paulo Henrique centralizou operações comerciais com o Banco Master e a busca por novos acionistas. Ele foi afastado do cargo pela Justiça em novembro de 2025. A defesa de Costa negou que ele tenha desempenhado um papel central na busca de novos acionistas.

