A broncopneumonia, que levou à hospitalização do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, 13, é uma condição que pode ser grave, especialmente para idosos. Essa doença pode não apresentar os sintomas clássicos de febre e tosse nessa população, tornando-se traiçoeira.
Bolsonaro, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, apresentou calafrios e episódios de vômito. Ao chegar ao Hospital DF Star, em Brasília, a equipe médica detectou queda na oxigenação e na saturação, marcadores importantes para avaliar a gravidade do estado de saúde dos pacientes.
A broncopneumonia é uma infecção pulmonar geralmente causada por bactérias, principalmente o pneumococo (Streptococcus pneumoniae), que atinge os brônquios e alvéolos. Também pode ser relacionada a fungos, vírus e inalação de produtos tóxicos. “Ao entrar no pulmão, a bactéria causa uma infecção local, que vai produzir secreção, catarro purulento, tosse, falta de ar e febre. A doença requer tratamento com antibióticos e, dependendo do tamanho da broncopneumonia e da intensidade dos sintomas, o paciente precisa ser internado”, explica José Roberto Megda Filho, pneumologista e presidente da Associação Brasileira de Asmáticos (Abra).
Os pacientes podem ainda apresentar calafrios, dor ao respirar, mal-estar generalizado e fraqueza. A doença acomete principalmente crianças e idosos com mais de 60 anos, que podem evoluir para formas mais graves e até morrer em virtude da infecção. A preocupação é maior com os idosos, pois muitos não manifestam os sintomas clássicos, atrasando o início do tratamento.
“Os sintomas mais comuns, que são tosse e febre, podem não aparecer se o paciente for muito idoso. Em idosos com mais de 80 anos, pode acontecer broncopneumonia grave sem o acometimento por febre”, complementa Megda Filho.
A pneumonia é uma doença prevenível por vacina, mas as doses gratuitas estão disponíveis apenas para crianças e idosos que vivem acamados ou em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). No entanto, há oferta na rede privada. Uma vacina importante para evitar a infecção é o imunizante contra a influenza, o vírus da gripe. Dados do Ministério da Saúde indicam que é possível reduzir as hospitalizações em até 45% e as mortes em até 75% com as doses.
“Uma das formas de se prevenir contra a broncopneumonia é fazer a vacinação para a bactéria mais comum, o pneumococo, e vacinar para a influenza, que reduz o risco de infecção viral que pode ser uma porta para infecções bacterianas”, finaliza o pneumologista.


