Cálculo econômico da China em meio à guerra no Irã

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A China, apesar de ser vista como aliada do Irã junto com a Rússia, tem adotado uma postura de observadora passiva em relação às ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o regime iraniano. Para membros do governo americano, essa atitude evidencia as limitações do poderio chinês na região e sua confiabilidade como aliado estratégico.

O que realmente une China e Irã não é a ideologia ou a oposição aos Estados Unidos, mas sim o acesso a recursos energéticos do Irã e a investimentos e tecnologia da China. O interesse de Pequim em Teerã é, portanto, mais econômico e estratégico do que político.

Com as sanções americanas às exportações iranianas, mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã tem a China como destino, onde pequenas refinarias disfarçam a origem do produto. O risco dessa importação faz com que o Irã ofereça descontos no preço do barril. Contudo, a China não é tão dependente do Irã quanto o contrário, já que 13% do petróleo que importa vem do país persa.

Ainda assim, a China depende das importações de petróleo do Oriente Médio como um todo, que representa quase 60% do seu fornecimento externo. O maior temor de Pequim não é a interrupção do fluxo de petróleo do Irã, mas sim um prolongamento da guerra que dificulte o trânsito pelo Golfo Pérsico, essencial para suas importações de petróleo e gás de países árabes.

A China tem realizado investimentos significativos em infraestrutura na região, como portos, que agora estão ameaçados. Apesar dos laços dos países árabes com os Estados Unidos, a China tem se estabelecido fortemente em suas economias. Caso ocorra uma troca de regime em Teerã, a estratégia de Pequim será usar seus interesses econômicos para se aproximar de quem assumir o poder, mesmo que este seja influenciado por Washington.

A instabilidade no Oriente Médio impacta a China de outras maneiras, como no Mar Vermelho, que se tornou uma rota arriscada para suas exportações para a Europa desde que as milícias houthis do Iémen começaram a atuar na região. A China condenou os ataques ao Irã, mas tem feito pouco para ajudar o país, enfatizando a importância de garantir que as rotas marítimas não sejam afetadas.

Embora a instabilidade no Oriente Médio represente um desafio no curto prazo, há um aspecto positivo para a China. O envolvimento dos Estados Unidos em mais um conflito na região os força a concentrar seus esforços militares e políticos ali, reduzindo a atenção a outras áreas geopolíticas, incluindo a disputa com a China. Durante as guerras no Iraque e no Afeganistão, a China se destacou como um concorrente sério por hegemonia econômica e tecnológica.

Recentemente, o presidente chinês Xi Jinping anunciou planos para se posicionar na corrida tecnológica em áreas como energia, inteligência artificial e telecomunicações, além de prever um aumento nos gastos militares. A China está buscando um crescimento sustentável, com uma meta de crescimento do PIB de 4,5% a 5% para este ano, a primeira vez em três décadas que a previsão fica abaixo de 5%.

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