A Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira (18) dois debates sobre saúde renal no Brasil. O evento incluiu um seminário da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e da Comissão Especial de Combate ao Câncer, além de uma sessão solene.
Durante os debates, parlamentares, representantes do governo e da sociedade civil discutiram a criação de uma Política Nacional de Prevenção e Cuidado da Doença Renal Crônica. O foco está no diagnóstico precoce e na sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS), que enfrenta desafios como subfinanciamento e aumento de casos.
O deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), autor do requerimento para o seminário e presidente da comissão especial, criticou o modelo atual, que é reativo e se concentra apenas no estágio final da doença. Ele destacou que o Brasil gasta anualmente mais de R$ 4,5 bilhões com terapias como hemodiálise e diálise peritoneal. “O sistema financia o procedimento, mas não enxerga a doença. Cerca de 87% dos pacientes não têm a causa registrada nos sistemas”, afirmou Prado.
Prado anunciou a intenção de apresentar um projeto de lei para criar a nova política, que visa fortalecer a atenção primária e realizar diagnósticos antes da necessidade de diálise.
A diretora da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Isadora Calvo, alertou que a Doença Renal Crônica (DRC) está projetada para ser a quinta maior causa de morte no mundo até 2050. Ela enfatizou a importância do diagnóstico precoce por meio de exames simples, como creatinina e urina. “A diálise mata mais que muitos cânceres, como o de mama e o colorretal”, destacou Isadora.
Representando o Ministério da Saúde, Artur Lobato, diretor de Atenção Especializada, anunciou investimentos para o setor, incluindo um reajuste de 15% na tabela para hemodiálise e de 100% para diálise peritoneal e cuidado pré-dialítico. Lobato também informou a habilitação de 49 novos serviços de diálise em 16 estados.
A advogada Anna Patrícia Silva, da coalizão Vozes do Advocacy, ressaltou a necessidade de expansão da diálise peritoneal domiciliar, que atualmente atende apenas uma pequena parcela dos pacientes, apesar de ser mais econômica e oferecer maior autonomia.
A sessão solene e o seminário celebraram o Dia Mundial do Rim, cujo tema em 2026 é “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”. O deputado Vinicius Carvalho (Republicanos-SP), presidente da Frente Parlamentar da Nefrologia, é autor do pedido para a realização da sessão e deve ser indicado como relator da nova política nacional na Câmara. “Essa questão renal para mim não é política, é ideologia. Não estamos falando de ideologia política, estamos falando de saúde pública”, disse o deputado.


