Câmeras registram jaguatiricas, onças e lobo-guará em parque de MT

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Instituto Impacto divulgou nesta quarta-feira (4) as primeiras imagens capturadas por câmeras de monitoramento no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. As armadilhas fotográficas registraram a presença de onças-pintadas, onças-pardas, lobo-guará e um casal de jaguatiricas, além de outras espécies como gavião-de-penacho, anta, tamanduá-mirim, tatu-canastra e tamanduá-bandeira.

O projeto conta com 84 câmeras distribuídas em 42 pontos de monitoramento no parque. Cada estação possui duas câmeras posicionadas para registrar os dois lados das onças, permitindo a identificação de cada animal por meio do padrão único de manchas, semelhante a uma impressão digital.

Paul Raad, presidente e coordenador do Instituto Impacto, explicou que o trabalho foca em áreas com conflitos entre humanos e grandes felinos. Ele afirmou:

““O Instituto […] nasce justamente para atuar onde há vulnerabilidade, buscando soluções que permitam a continuidade das atividades humanas com responsabilidade e garantindo a conservação dos grandes carnívoros. […] Estudar as onças também é uma forma de avaliar a saúde do próprio parque.””

Os registros ajudarão os pesquisadores a estimar a densidade e a abundância de onças na região, dados que não eram conhecidos desde a criação do parque. As pesquisas são realizadas em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP), abordando temas como saúde animal, genética e monitoramento de fauna.

O Cerrado, onde está localizado o parque, é considerado a savana mais biodiversa do mundo, abrigando mais de 1.500 espécies de animais vertebrados. A presença de predadores como onças e lobos-guará é essencial para o equilíbrio ambiental.

Raad também destacou as pressões ambientais que a região enfrenta, como a expansão urbana, mineração e atividades rurais. Ele mencionou:

““Há registros de caça ilegal, mineração ilegal dentro do Parque Nacional, uso irregular da área por motos, expansão urbana no entorno, além do avanço da agricultura.””

Além das atividades no Cerrado, o Instituto Impacto realiza pesquisas no Pantanal, com um centro de pesquisa na Pousada Piuval, em Poconé. A instituição busca promover a coexistência entre humanos e grandes predadores, oferecendo orientação a fazendeiros e comunidades tradicionais para reduzir conflitos e proteger os animais.

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