Um estudo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em parceria com o Boston Consulting Group (BCG), revela que os caminhões brasileiros têm a menor pegada de carbono do mundo. A pesquisa foi divulgada em 5 de março de 2026.
O estudo analisa a descarbonização no setor de transporte de carga no Brasil, que alcançou um patamar de liderança global. A metodologia utilizada considera o ciclo de vida completo dos veículos, desde a mineração de matérias-primas até o descarte final.
A matriz energética do Brasil, composta por 90% de energia renovável, é um dos principais fatores que sustentam essa vantagem competitiva. O uso de biocombustíveis, como o biodiesel, também contribui para a redução das emissões de carbono.
Os dados mostram que um caminhão urbano brasileiro que utiliza uma mistura de 15% de biodiesel (B15) emite menos CO₂ do que um modelo 100% elétrico operando na China. O caminhão brasileiro emite menos de um terço do que o modelo chinês, devido à matriz energética menos sustentável daquele país.
A fabricante Iveco, com unidade em Sete Lagoas (MG), é um exemplo de inovação no setor. A empresa implementou um sistema de osmose reversa que permite o reuso de cerca de 14.500 m³ de água desmineralizada por mês na produção de caminhões. A meta global da Iveco é alcançar a neutralidade de carbono até 2040.
Além disso, a Iveco adota práticas de ecodesign e economia circular, como a remanufatura e reciclagem de materiais. Na Argentina, a unidade da Iveco transformou 94 toneladas de metal e alumínio em novos componentes para caminhões.
O relatório da Anfavea também destaca que os caminhões rodoviários a diesel e biometano do Brasil possuem os menores índices de emissão do mundo. O caminhão que opera com biometano 100% (BioGNV) representa o máximo em descarbonização para rotas longas, superando tecnologias disponíveis em mercados como os Estados Unidos e Europa.

