Representantes de caminhoneiros autônomos negaram a possibilidade de uma greve nacional devido ao aumento do preço do diesel, que impacta os custos da categoria. A discussão sobre uma paralisação surgiu em grupos de caminhoneiros após a alta significativa do óleo diesel, impulsionada pela elevação do preço do petróleo em decorrência do conflito no Oriente Médio.
A maioria dos caminhoneiros se opõe à greve, temendo os impactos econômicos e os prejuízos que uma paralisação poderia causar à população. No entanto, uma ala de caminhoneiros planeja uma paralisação na região do porto de Salvador a partir da madrugada de amanhã, com duração prevista de 24 horas. O movimento conta com o apoio da ANTB (Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil).
Entidades que representam transportadores autônomos, como a Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), o CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), a Conftac (Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas), a Fetrabens-SP (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Carga em Geral do Estado de São Paulo) e o Sindicam-Santos (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira) negaram qualquer indicativo de greve neste momento.
A ANTB informou que a paralisação em Salvador pode ser prorrogada por tempo indeterminado, caso suas demandas não sejam atendidas. O motivo da mobilização é a mudança em uma regra para triagem de cargas no porto, que exige que o motorista transporte a mercadoria do contêiner até o setor de triagem, aumentando a distância em 10 a 15 quilômetros e causando atrasos na descarga.
José Roberto Stringasci, presidente da ANTB, divulgou um vídeo nas redes sociais convocando os transportadores para a paralisação e alertando que as operações de carga e descarga no porto serão afetadas. Ele afirmou:
““Os caminhoneiros não aguentam mais. Essa é a única alternativa que nós temos.””
Stringasci também mencionou que os pleitos da categoria incluem o julgamento da constitucionalidade da lei do piso mínimo do frete rodoviário pelo Supremo Tribunal Federal, mudanças na política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras e a não cobrança de pedágio a caminhões com eixo erguido em casos de tráfego sem mercadoria. Ele questionou qual será a posição do governo diante dos altos preços do combustível, com o diesel já ultrapassando R$ 8 por litro na região.
Wallace Landim, presidente da Abrava, conhecido como Chorão, refutou a participação de caminhoneiros em uma greve nacional e alertou para a
““irresponsabilidade””
de um movimento desse tipo neste momento. Ele destacou que a categoria busca medidas junto ao governo federal para mitigar a crise econômica, como a redução do ICMS do diesel e o preço dos pedágios, e que uma paralisação poderia causar caos no País.
Chorão também alertou sobre o risco de suspensão das atividades de transporte devido à falta de combustíveis, já que as distribuidoras diminuíram a entrega nos postos e há locais sem combustível disponível. Ele relatou que caminhoneiros têm observado um aumento de 25% a 26% no preço do diesel nos últimos dez dias, com um incremento médio de R$ 1,64 por litro desde o início do conflito no Irã.
A Conftac informou que, após reuniões com lideranças do setor, não há indicativo de paralisação ou greve da categoria para hoje. A entidade reforçou que os rumores de greve são especulações e mantém o compromisso com o diálogo e a estabilidade do transporte de cargas no País.
Na próxima segunda-feira (16), caminhoneiros da região do Porto de Santos se reunirão para discutir a situação da categoria e buscar soluções em conjunto. Luciano Santos, presidente do Sindicam-Santos, afirmou que a manifestação será considerada apenas em último caso. O diretor-presidente do CNTRC, Plínio Dias, destacou que a categoria busca medidas estruturantes, além de abordar o impacto atual do preço do diesel.

