Campanha incentiva destruição de etiquetas de embalagens compradas online

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A exposição de dados pessoais em etiquetas de encomendas gera preocupações sobre privacidade e segurança nas compras online. Informações como nome, endereço e telefone, que estão impressas nas embalagens, podem ser divulgadas sem controle após o descarte do pacote.

Para abordar esse problema, foi lançada a campanha ‘Raspe seus Dados’ no último domingo (15). A iniciativa incentiva os consumidores a removerem ou inutilizarem as informações sensíveis presentes nas etiquetas das mercadorias. As três mil primeiras compras realizadas na landing page da campanha receberão um cupom exclusivo do Mercado Livre.

Ao receber a encomenda, o comprador deve raspar ou retirar os dados da etiqueta para ter acesso ao cupom. As etiquetas de identificação do produto, que geralmente incluem um código de barras ou QR Code, contêm informações como nome completo, endereço, telefone, CPF e códigos que acessam a nota fiscal (NF-e).

Criminosos têm utilizado esses dados para aplicar golpes, abrir contas e cartões de crédito, entre outros crimes de estelionato. Catarina Viegas, CEO Latam da Cipher, unidade de cibersegurança do grupo Prosegur, destacou que as etiquetas são “um prato cheio” para golpistas. Ela afirma:

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““Para um golpista, essas informações validam uma abordagem: quando alguém te contata sabendo exatamente onde você mora e detalhes de uma compra, a barreira de desconfiança do cérebro humano diminui drasticamente.””

Em 2025, um relatório da DeepStrike revelou que o Brasil foi o sétimo país mais afetado por ataques cibernéticos. Irineu Barreto, professor do PPG em Direito da Sociedade da Informação da FMU-SP, explicou que os golpistas utilizam esses dados em técnicas de engenharia social, que buscam estabelecer contato com possíveis vítimas.

Iuri Maia, diretor de estratégias do Mercado Livre, enfatizou que a proteção de dados é uma responsabilidade contínua. Ele afirmou:

““Queremos ampliar essa consciência para o momento do descarte de embalagens e incentivar um cuidado simples, mas relevante, na rotina das pessoas.””

Catarina também listou as fraudes mais comuns que podem ser aplicadas com informações roubadas, como:

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  • Vishing: O criminoso liga fingindo ser do SAC da loja ou do banco, usando dados da etiqueta para induzir a vítima a fornecer senhas.
  • Phishing Direcionado: Envio de mensagens via WhatsApp ou e-mail com links maliciosos que prometem descontos, utilizando o nome da vítima.
  • Roubo de Identidade: O cruzamento de dados físicos com bases vazadas permite que criminosos abram contas bancárias em nome do consumidor.

Para se proteger, recomenda-se:

  • Destruição física: Remover ou rasgar as informações da etiqueta até torná-las ilegíveis antes de descartar a embalagem.
  • Cautela com contatos inesperados: Desconfiar de mensagens ou ligações solicitando dados pessoais e utilizar apenas canais oficiais para confirmações.
  • Educação digital: Tratar dados físicos com o mesmo rigor que se trata senhas bancárias.
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