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Câncer de coração: tumor raro pode ser confundido com falta de ar e exige cirurgia complexa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma mulher de 23 anos foi atendida no pronto-socorro com falta de ar progressiva e palpitações que duravam quase três semanas. Sem doenças prévias conhecidas, a jovem apresentava um quadro que parecia ser uma embolia pulmonar, hipótese reforçada por exames laboratoriais alterados.

No entanto, a tomografia descartou a presença de coágulos no pulmão e revelou uma massa de cerca de 6 centímetros ocupando o átrio esquerdo do coração. O diagnóstico final foi sarcoma intimal cardíaco, um tipo raro e agressivo de câncer que se origina no próprio coração.

Segundo relato publicado na revista científica Case Reports and Case Series in Cardiology Journal (CRCSCJ), a paciente foi submetida a uma cirurgia de urgência, na qual parte do átrio esquerdo foi removida para retirar o tumor. O exame anatomopatológico confirmou a presença de um sarcoma de alto grau.

Cinco meses após a cirurgia, durante acompanhamento oncológico, exames detectaram metástases cerebrais. O caso ilustra a raridade do câncer de coração, que, apesar de ser um órgão vital, apresenta tumores extremamente raros e pouco conhecidos.

Os tumores cardíacos podem ser classificados como primários, quando se originam no coração, e secundários, quando são metástases de outros órgãos. Tumores secundários são 20 a 130 vezes mais frequentes que os primários, que têm uma incidência de 0,001% a 0,03% em estudos de necrópsia. Quando malignos, cerca de 65% são sarcomas, que se originam em tecidos de sustentação do corpo.

Os sintomas do câncer de coração são inespecíficos e incluem falta de ar, palpitação, fraqueza, dor torácica e desmaio. Esses sinais podem ser confundidos com insuficiência cardíaca, como ocorreu com a jovem, cujo tumor causava obstrução da válvula mitral.

O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como ecocardiograma, ressonância magnética e, em casos selecionados, cateterismo. Muitas vezes, o diagnóstico definitivo só é confirmado após a cirurgia, com análise do tecido retirado.

A principal linha de tratamento para o câncer de coração é a cirurgia, que é de alta complexidade. O cirurgião deve remover não apenas a parte visível do tumor, mas também uma margem de tecido saudável ao redor da lesão para aumentar as chances de remoção de células cancerígenas microscópicas. O prognóstico depende da possibilidade de retirar completamente o tumor com margem de segurança.

Dados sobre a sobrevida média após o diagnóstico de câncer de coração variam entre 3 e 12 meses nos casos malignos, com menos de 15% dos pacientes sobrevivendo além de cinco anos. A ausência de grandes estudos dificulta a definição de padrões definitivos.

A investigação para câncer de coração geralmente começa quando sintomas persistentes não encontram explicação em causas mais comuns. Um ecocardiograma pode revelar massas intracardíacas inesperadas, e muitos tumores são silenciosos até que atinjam um tamanho considerável.

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