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Cargill suspende exportação de soja do Brasil para China devido a novas inspeções

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Cargill suspendeu as operações de exportação de soja do Brasil para a China nesta quarta-feira (12) devido a mudanças na inspeção fitossanitária implementadas pelo governo brasileiro.

O presidente da Cargill no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, informou que o Ministério da Agricultura adotou uma inspeção mais rigorosa para a soja destinada à China, a pedido do governo chinês. Essa nova fiscalização está dificultando o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização para o embarque do produto.

Segundo Sousa, o novo sistema de inspeção é incomum no mercado de grãos. Ele afirmou que a Cargill, uma das maiores exportadoras de soja do Brasil, também suspendeu a compra do produto no mercado interno devido às dificuldades de envio ao principal importador global da oleaginosa.

“”Isso é um grande risco hoje para o fluxo de exportação brasileira de soja para a China”, disse Sousa durante a Argentina Week 2026, conferência organizada pelo Bank of America em Nova York.”

O executivo explicou que, em vez de utilizar uma amostra padrão para inspeção, o ministério está realizando sua própria amostragem. Isso tem gerado discrepâncias, e os certificados fitossanitários que acompanham a carga, emitidos pelo ministério, não estão sendo fornecidos em alguns casos.

Sem esses certificados, os navios não podem descarregar na China, o que está levando alguns embarques a serem redirecionados para outros destinos. Sousa alertou que, se a situação não for resolvida rapidamente, poderá ocorrer a paralisação dos embarques para a China. Ele mencionou que a Cargill parou suas operações na última sexta-feira.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, está avaliando a situação com as entidades representativas dos exportadores e processadores, a Anec e a Abiove, buscando um acordo sobre a maneira correta de realizar a amostragem e a classificação da soja.

Postagens de corretores de grãos e agricultores brasileiros no X indicaram que houve uma queda significativa nos lances de comerciantes para a compra de soja local. A China é o maior cliente da soja brasileira, adquirindo cerca de 80% dos grãos exportados pelo Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.

As novas inspeções começaram no início da semana passada. Embora haja negociações em andamento, nenhuma solução foi encontrada até o momento. O Ministério da Agricultura não respondeu a um pedido de comentário na noite de quarta-feira.

A Anec expressou preocupações em nota sobre como os exportadores conseguirão se adaptar ao novo sistema de inspeção, especialmente durante o pico das exportações de soja do Brasil. “A principal preocupação do setor segue sendo a soja e como a cadeia conseguirá se adequar às novas exigências no médio prazo”, afirmou a Anec.

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