A Cargill suspendeu as operações de exportação de soja do Brasil para a China em 12 de março de 2026, devido a mudanças nas inspeções fitossanitárias implementadas pelo governo brasileiro.
A informação foi confirmada por Paulo Sousa, presidente da empresa no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, em entrevista à Reuters. A decisão ocorre em um momento delicado para as relações comerciais entre Brasil e China no setor do agronegócio.
A China representa mais de 70% das exportações brasileiras de soja, tornando qualquer interrupção nesse fluxo comercial motivo de preocupação para toda a cadeia produtiva. Larissa Wachholz, diretora executiva da Vallya Agro e mestre em estudos chineses contemporâneos, afirmou:
““o cenário assustou toda a cadeia e é um elemento muito preocupante para a relação do Brasil com a China no agronegócio“.”
Wachholz destacou que o próximo passo será uma negociação entre os dois países sobre os protocolos a serem seguidos. O governo chinês busca se resguardar de eventuais pragas que possam se espalhar em seu território.
““A China quer se resguardar de eventualmente ter um caso em que essas pragas se espalhem dentro do mercado chinês e que causaria prejuízos a eles”,”
explicou.
A especialista ressaltou que essa situação é diferente das salvaguardas impostas à carne bovina brasileira. Enquanto as salvaguardas visam proteger produtores locais de importações excessivas, as restrições fitossanitárias têm como objetivo evitar riscos sanitários, como o espalhamento de pragas ou outros tipos de contaminação.
Wachholz também destacou que as medidas chinesas não são direcionadas especificamente contra o Brasil, mas acabam afetando mais intensamente o país por ser o principal fornecedor de produtos agrícolas para a China.
““O Brasil é o principal fornecedor de produtos do agronegócio para a China. Então, qualquer medida que a China determine, qualquer regulação que ela imponha para produtos agrícolas importados, acaba nos afetando de uma forma mais intensa”,”
afirmou.
Aproximadamente 25% de todos os produtos agrícolas importados pela China são provenientes do Brasil, o que coloca o país em uma posição vulnerável diante de alterações regulatórias chinesas. A expectativa é que as autoridades brasileiras e chinesas iniciem conversas para alinhar os protocolos fitossanitários, de forma a atender às exigências do mercado asiático sem comprometer o fluxo de exportações.

