O Primeiro-Ministro canadense Mark Carney classificou a guerra em expansão no Irã como uma “falha” da ordem internacional, mas não descartou a possibilidade de o Canadá se juntar ao conflito. “Nunca se pode descartar categoricamente a participação. Estaremos ao lado de nossos aliados”, afirmou Carney ao ser questionado sobre a possibilidade de assistência militar.
Durante uma coletiva de imprensa conjunta com o Primeiro-Ministro australiano Anthony Albanese em Canberra, Carney destacou a diferença entre as ações ofensivas que descreveu como não consultadas e os compromissos mais amplos de aliança de seu país. “Há uma distinção entre as ações ofensivas que foram e estão sendo tomadas pelos Estados Unidos e Israel sem consulta ao Canadá e outros aliados. Não somos parte dessas ações”, disse.
Carney reiterou seu compromisso de defender os canadenses e seus aliados quando necessário. Ele também condenou a maneira como a ação militar dos EUA e de Israel, que resultou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Khamenei, foi conduzida, criticando Washington por não coordenar com aliados e órgãos internacionais. “Apoiamos esforços para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e para evitar que seu regime continue ameaçando a paz e a segurança internacionais”, declarou.
O Primeiro-Ministro canadense expressou seu pesar pela atual situação, afirmando que o conflito é mais um exemplo da falha da ordem internacional. “Condenamos os ataques realizados pelo Irã contra civis e infraestrutura civil em todo o Oriente Médio e imploramos a todas as partes, incluindo os Estados Unidos e Israel, que respeitem as regras de engajamento internacional”, acrescentou.
As declarações de Carney sobre a “falha” da ordem internacional estão alinhadas com suas afirmações feitas durante seu discurso em Davos no início deste ano, onde descreveu uma “ruptura” e afirmou que a antiga ordem mundial “não voltará”. Albanese também se juntou aos apelos por desescalada, mas reafirmou o apoio ao objetivo declarado da campanha militar.
Na Europa, o Primeiro-Ministro espanhol Pedro Sánchez argumentou que os ataques minam as normas internacionais. Enquanto isso, o Presidente Donald Trump defendeu a ação militar durante uma reunião com líderes empresariais, insistindo que os ataques eram necessários para impedir que o Irã adquirisse uma arma nuclear. “Se não tivéssemos atacado em duas semanas, eles teriam uma arma nuclear… Quando pessoas loucas têm armas nucleares, coisas ruins acontecem”, afirmou.
Trump também ofereceu uma justificativa ligeiramente diferente, repetindo sua explicação anterior de que a ação militar foi tomada como uma medida preventiva. “Acho que se não tivéssemos feito isso primeiro, eles teriam feito isso com Israel e nos dado um tiro, se isso fosse possível”, disse, em meio a preocupações de que a administração Trump está lutando para estabelecer uma justificativa definitiva para a guerra. Até agora, seis membros das forças armadas americanas na região foram mortos por ataques retaliatórios iranianos. Trump se referiu aos soldados caídos como “verdadeiros patriotas americanos” e alertou que “provavelmente haverá mais” mortes americanas antes que o conflito termine.


