Um casal de Poá, na Grande São Paulo, desembarcou em Barcelona, na Espanha, na noite de sábado (7), após ser retido em um navio de cruzeiro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A repatriação ocorreu devido à escalada de ataques na região. A viagem de retorno ao Brasil está marcada para esta terça-feira (10).
A advogada e empresária Tathiana Suwaki Amorim, de 47 anos, e seu marido, Cristian de Amorim, de 52, estavam a bordo do navio MSC Euríbia desde 28 de fevereiro, enquanto a embarcação permanecia parada no porto e os voos estavam suspensos ou com operação reduzida.
Tathiana relatou que o casal saiu do navio às 7h de sábado, com o voo inicialmente previsto para às 13h. Contudo, por volta das 12h, a companhia aérea cancelou o voo devido a uma bomba que havia caído próxima ao aeroporto. ‘O aeroporto fechou. Aí não decolou e nem aterrissou nada mais. Mudaram o voo para as 15h30’, explicou.
Após várias mudanças de portão de embarque e com muitos passageiros estressados, incluindo idosos e crianças, o voo para a Espanha finalmente decolou. ‘O voo foi tranquilo, com um pouco de turbulência. Todos os passageiros ficaram aliviados, tanto que, quando pousou, o pessoal aplaudiu. Dormimos sem medo esta noite’, detalhou Tathiana.
O voo incluía outros passageiros do mesmo cruzeiro, alguns dos quais ficaram uma semana a mais retidos no navio. A MSC Cruzeiros fretou voos para repatriar os passageiros, mas cada um deve comprar sua própria passagem de volta ao Brasil.
A MSC Cruzeiros informou que organizou voos para mais de 1,5 mil hóspedes do MSC Euríbia, com sete voos já partindo da região. Tathiana mencionou que o cruzeiro foi cancelado devido à situação de segurança, mas os hóspedes foram mantidos a bordo como ‘hospedagem emergencial’.
Embora os passageiros pudessem desembarcar, a recomendação era que permanecessem no navio por segurança. ‘Podia sair, mas a recomendação era que ficássemos no navio. E também, se saísse, não tinha para onde ir, um local seguro’, afirmou Tathiana, que também relatou a constante tensão na região, com aviões de caça sobrevoando e alertas de segurança sendo emitidos.
Entre os mais de 5 mil passageiros do navio, cerca de 350 eram brasileiros. A principal dificuldade enfrentada pelo casal foi a falta de previsão para voos de volta ao Brasil. Enquanto aguardavam uma solução, buscaram informações junto às autoridades brasileiras.
A Qatar Airways, que operaria o retorno do casal, informou que as operações permanecem suspensas devido ao fechamento do espaço aéreo do Catar. A companhia disse que só retomará os voos quando a Autoridade de Aviação Civil do Catar autorizar a reabertura segura do espaço aéreo.


