A Casas Bahia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão no quarto trimestre de 2026. O resultado foi impactado principalmente por uma provisão de Imposto de Renda diferido de R$ 1,45 bilhão, em um período marcado por forte queda no endividamento e expansão de receitas e margens.
O diretor financeiro da empresa, Elcio Ito, explicou que a provisão foi realizada após testes de estresse, considerando o contexto geopolítico e os riscos potenciais para a inflação e as taxas de juros. Ele afirmou que, “por prudência e conservadorismo”, a companhia decidiu fazer a provisão, que não tem efeito caixa e econômico, visando um cenário de estresse econômico.
Excluindo essa provisão, a Casas Bahia teve um prejuízo de R$ 79 milhões, uma melhora em relação à perda de R$ 452 milhões no mesmo período do ano anterior. O balanço ainda mostrou despesas com vendas, gerais e administrativas de R$ 1,9 bilhão, um aumento de 0,4%, e um resultado financeiro negativo de R$ 557 milhões.
A despesa financeira caiu em relação ao mesmo período de 2024, quando foi de R$ 921 milhões. A reestruturação do perfil de endividamento da companhia, finalizada no final de 2025, resultou em uma redução da dívida líquida ajustada para R$ 1,13 bilhão, comparado a R$ 4,48 bilhões no trimestre anterior. A alavancagem, medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado, passou de 1,9 vez para 0,4 vez.
“Tivemos uma redução de 75% da dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestres… foi um passo absolutamente fundamental e decisivo para colocar a companhia em um novo balanço daqui para frente”, afirmou Ito, que também destacou a “consistência de entrega de resultados operacionais”.
No quarto trimestre, a receita líquida cresceu 6,1%, totalizando R$ 8,471 bilhões. O GMV consolidado apresentou crescimento de 8,7%, alcançando R$ 13,1 bilhões. O GMV das lojas físicas permaneceu estável, enquanto as vendas nas mesmas lojas cresceram 2,6%. O GMV de e-commerce teve uma expansão de 21,7%.
O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, somou R$ 826 milhões, com alta de 29,1% em relação ao ano anterior, e a margem nessa métrica ficou em 9,8%, comparada a 8% um ano antes. A margem bruta da companhia avançou 0,7 ponto percentual, para 31,5%.
Elcio Ito não detalhou o comportamento das vendas no início de 2026, mas afirmou que a companhia continua crescendo e ganhando market share. Ele mencionou que o ano tem eventos potencialmente positivos, apesar do ambiente macroeconômico desafiador, com taxas de juros ainda altas. O executivo também destacou a isenção do IR para rendimentos até R$ 5.000 como uma renda adicional para o mercado, além de mencionar a Copa do Mundo e as eleições como fatores que podem impactar o consumo.
“Nós queremos crescer o crédito, porque aumenta as vendas, mas crescer de uma forma sustentável”, disse Ito, referindo-se ao projeto da Casas Bahia de aumentar o crediário dentro das vendas. No quarto trimestre, a carteira do crediário atingiu R$ 6,6 bilhões, com alta de 7% ano a ano, e a inadimplência acima de 90 dias em 8,6%, resultando em uma perda líquida de 4,6%.


