O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que o caso envolvendo o Banco Master abalou a credibilidade da autarquia, mas que as investigações recentes permitirão a recuperação da confiança. Em entrevista ao CNN Money, Fraga declarou que a situação do banco de Daniel Vorcaro “foi muito longe” e que os desdobramentos da investigação da Polícia Federal indicam a existência de um “foco de infecção” na estrutura do Banco Central.
Fraga disse:
““A credibilidade do BC estava abalada com o caso Master. Agora começa a ficar claro que havia um foco de infecção lá dentro, e o BC vai poder recuperar a sua credibilidade de sempre.””
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no dia 4 de março de 2026, durante uma nova fase da operação Compliance Zero, após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão aponta indícios de que o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada para cometer crimes financeiros, corromper agentes públicos e monitorar críticos, incluindo jornalistas.
A operação da Polícia Federal, iniciada em novembro de 2025, investiga suspeitas de fraude na instituição financeira, que já foi liquidada pelo Banco Central. Além de Vorcaro, outros suspeitos foram alvo da operação, incluindo dois ex-servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que já estavam afastados desde o final do ano anterior, após decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo.
De acordo com a Polícia Federal, os ex-servidores prestavam uma “consultoria informal” a Vorcaro e participavam de um grupo de Whatsapp criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos. As investigações indicam que eles teriam recebido dinheiro para passar informações ao banqueiro e ajudar na elaboração de pedidos ao Banco Central.
A decisão de Mendonça descreve o relacionamento ilícito entre Vorcaro e os servidores, com indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas. A Polícia Federal afirma que Paulo Sérgio revisava documentos e comunicações do Banco Master destinadas ao Banco Central, sugerindo alterações antes da formalização.
Além disso, a PF menciona que Vorcaro providenciou um guia para uma viagem de Paulo Sérgio à Disney e que ele solicitava conversas por ligação com Belline Santana para discutir assuntos sensíveis, evitando registros escritos. Belline também revisava documentos e participou de reuniões privadas com Vorcaro, onde foram discutidos temas estratégicos relacionados ao Banco Master.

