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Leitura: Células cerebrais jogam ‘Doom’ em computador biológico com 200 mil neurônios
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Tecnologia

Células cerebrais jogam ‘Doom’ em computador biológico com 200 mil neurônios

Amanda Rocha
Última atualização: 12 de março de 2026 04:05
Amanda Rocha
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Tempo: 2 min.
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Pesquisadores da empresa australiana Cortical Labs cultivaram 200 mil neurônios humanos em um microchip e conseguiram fazer com que essas células jogassem o clássico jogo de tiro em primeira pessoa, ‘Doom’, lançado em 1993.

O experimento, denominado CL-1, representa um avanço significativo em relação a experimentos anteriores, como o ‘DishBrain’, que utilizou o jogo ‘Pong’ de 1972. A evolução de ‘Pong’ para ‘Doom’ impõe um desafio cognitivo complexo, considerando que as células não possuem olhos, sistema nervoso ou corpo.

Para permitir que os neurônios interagissem com o jogo, os pesquisadores traduziram os estímulos do ambiente digital para a linguagem da biologia, utilizando eletricidade. A cultura celular foi posicionada sobre uma placa com múltiplos eletrodos, possibilitando uma comunicação bidirecional entre a máquina e o tecido vivo.

Quando um inimigo aparece na tela, os eletrodos estimulam a região correspondente da cultura neural, fazendo com que os neurônios reajam e disparem sinais elétricos. Se o padrão de disparo for reconhecido, o personagem atira ou se move rapidamente. As células aprenderam a associar padrões a ações sem programação explícita, desenvolvendo padrões funcionais úteis.

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Embora o sistema tenha se comportado como um jogador inexperiente, seu desempenho foi alcançado mais rapidamente do que sistemas tradicionais de aprendizado artificial, que geralmente precisam de milhões de partidas simuladas para atingir resultados semelhantes.

A pesquisa da Cortical Labs demonstra a viabilidade da tecnologia orgânica híbrida, combinando a eficiência energética e a plasticidade do cérebro humano com a velocidade de processamento do silício. O wetware pode representar uma solução para os desafios da computação convencional, que enfrenta limitações em eficiência energética e velocidade de aprendizado.

O sistema funciona como uma conversa contínua entre o jogo e as células, onde a cada rodada os neurônios se reorganizam para responder de forma mais eficiente, exemplificando o aprendizado adaptativo em tempo real.

TAGGED:aprendizagematividade cerebralAustráliaCortical LabsTecnologiaVideogame
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