Pouco menos de um mês após a desistência da Netflix em adquirir a Warner Bros. Discovery, o co-CEO da plataforma, Ted Sarandos, anunciou um novo foco estratégico na Europa. Em entrevista ao Politico, em Bruxelas, Sarandos expressou interesse em discutir novos negócios na União Europeia para regulamentar a indústria da mídia.
O empresário afirmou que não houve “nenhuma interferência política” do governo Trump nas negociações da Warner Bros., que optou por aceitar a oferta de US$ 111 bilhões da Paramount Skydance, de David Ellison. Segundo Sarandos, a dinâmica política atual dos EUA “complicou a narrativa [em torno do acordo], não os resultados em si”.
Ele esclareceu que o processo “sempre foi uma transação comercial” e que o pronunciamento de Donald Trump pedindo pela demissão de Susan Rice, conselheira da Netflix, foi “apenas uma publicação em uma rede social”. “Não foi o ideal, mas [Trump] faz muita coisa nas redes sociais”, comentou Sarandos.
O co-CEO também destacou o interesse da Netflix na Europa, afirmando que a União Europeia é agora o maior território da empresa em termos de receita. “Investimos, na última década, mais de 13 bilhões de dólares na criação de conteúdo na Europa. Isso nos torna um dos principais produtores e exportadores de narrativas europeias”, disse.
Embora o streaming consiga lidar com a regulamentação europeia, Sarandos sugeriu que esquemas de incentivo, como isenções fiscais, seriam “muito mais produtivos” do que imposições regulatórias. Ele alertou contra a fragmentação do mercado único europeu, que poderia resultar na perda de “todos os benefícios do mercado único [da UE]”.
Além disso, Sarandos comentou que reguladores europeus estão subestimando o YouTube como concorrente direto da audiência televisiva. “O YouTube é um concorrente direto da televisão, seja uma emissora local ou um serviço de streaming como a Netflix… Acho que o que acontece é que as pessoas pensam no YouTube como um monte de vídeos de gatos, [mas] o YouTube está exatamente no mesmo jogo que nós”, afirmou.

