Chance de El Niño no segundo semestre de 2026 chega a 62%, diz NOAA

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) confirmou nesta quinta-feira (12) que a La Niña está chegando ao fim e emitiu um alerta oficial de El Niño para o segundo semestre de 2026.

Segundo um boletim do Centro de Previsão Climática da agência, há 62% de chance de o El Niño se configurar entre junho e agosto e se manter pelo menos até o final do ano.

O documento indica que a transição para uma fase neutra deve ocorrer no próximo mês, com 55% de chance de essa neutralidade se manter entre maio e julho. A partir daí, os modelos apontam para o desenvolvimento do El Niño.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global.

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A La Niña, por outro lado, é um resfriamento das mesmas águas, com efeitos significativos em direção contrária. A NOAA informou que a La Niña continuou presente em fevereiro de 2026, trazendo temperaturas do mar abaixo da média no centro-leste do Pacífico equatorial.

O índice Niño-3.4, que monitora o fenômeno, registrou -0,5°C na última semana. Apesar disso, as temperaturas subsuperficiais do oceano vêm aumentando, indicando que o calor está se acumulando nas camadas mais profundas e deve emergir nos próximos meses.

A NOAA destacou dois fatores que sustentam a expectativa de El Niño: a grande quantidade de calor acumulado abaixo da superfície do Pacífico e o enfraquecimento previsto dos ventos alísios de baixos níveis, que sopram de leste para oeste sobre o equador.

““Os modelos já indicam a possibilidade de um El Niño forte a partir de maio, ganhando força ao longo do inverno. Mas ainda é cedo para falar em um ‘super El Niño’; por enquanto, esse cenário precisa de mais confirmação”, disse o meteorologista César Soares, da Climatempo.”

Projeções do modelo climático europeu indicam aquecimento gradual das águas do Pacífico equatorial ao longo de 2026, sinal associado ao possível desenvolvimento de um episódio de El Niño.

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Durante o Super El Niño de 2015-16, secas severas afetaram partes da África, América Central, Ásia e Oceania. Países tropicais da América do Sul, África, Oriente Médio, Índia e Austrália tendem a registrar calor e umidade extremos durante esses períodos.

Eventos intensos de El Niño quase sempre empurram o planeta para anos recordes de calor, pois o calor liberado pelo oceano se redistribui pela atmosfera com meses de defasagem.

Apesar dos sinais crescentes, a incerteza ainda é significativa. As previsões de El Niño tendem a ser menos precisas nesta época do ano, sob influência da chamada “barreira de previsão de primavera” no Hemisfério Norte.

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