O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que é improvável que o Irã retome as negociações com os EUA após as recentes hostilidades. Ele mencionou uma “experiência amarga” com conversas anteriores.
Em entrevista à jornalista Amna Nawaz no programa PBS NewsHour, em Teerã, Araqchi afirmou que, apesar do progresso em rodadas anteriores de negociações, as ações dos EUA minaram o processo diplomático. Ele disse: “Não creio que a questão de conversar ou negociar com os americanos volte a ser discutida”.
Araqchi também responsabilizou os Estados Unidos e Israel pela crescente instabilidade no Oriente Médio. Ele afirmou que os ataques contra o Irã interromperam a produção e o transporte de petróleo na região, descrevendo o conflito como “uma guerra imposta a nós”.
O chanceler insistiu que as ações do Irã foram atos de autodefesa e que Teerã não é responsável pelas consequências mais amplas que afetam a região e a comunidade internacional.
O conflito entre os EUA e o Irã se intensificou após um ataque coordenado que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã, no dia 28 de fevereiro. Desde então, diversas autoridades do regime iraniano também foram mortas.
Os EUA alegam ter destruído dezenas de navios iranianos, sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares. Em retaliação, o regime iraniano atacou países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã, visando interesses dos EUA e Israel.
Desde o início da guerra, mais de 1.200 civis morreram no Irã, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos. A Casa Branca registrou ao menos sete mortes de soldados americanos devido aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano, onde o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Israel, por sua vez, realizou ofensivas aéreas contra alvos do Hezbollah.
Após a morte de grande parte da liderança iraniana, um conselho elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas afirmam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão. Donald Trump criticou essa escolha, classificando-a como um “grande erro” e afirmou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.


