Chances de El Niño em 2026 aumentam e mudam os planos no campo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, o NOAA, aumentou as probabilidades do El Niño como o fenômeno climático predominante em 2026. Os mapas meteorológicos mostram o gradual aumento das temperaturas no Oceano Pacífico Equatorial, o que interfere na circulação atmosférica em todo o planeta.

Com as mudanças climáticas e o aquecimento global, o El Niño tem se manifestado com intensidade cada vez maior. A imagem abaixo, que faz parte do relatório divulgado pelo NOAA, mostra que o La Niña começou a perder força em fevereiro. As águas do Pacífico, que estavam com temperatura abaixo da média, começam a aquecer.

Ao longo deste mês de março, o fenômeno dá lugar a uma fase de neutralidade que deve se estender durante o outono. Já o El Niño começa a se consolidar a partir de maio, aumentando as chances de um inverno menos rigoroso. A partir de agosto, a probabilidade do El Niño se consolidar é de 80%. As temperaturas podem ficar até 2ºC acima da média para o período já na primavera.

Essa visão de médio prazo é fundamental para o planejamento da agricultura. No Sul, as chuvas tendem a ser volumosas em anos de El Niño, o que aumenta o alerta para enchentes e deslizamentos. No campo, a dica para os produtores sulistas é antecipar o quanto antes o plantio e a colheita.

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No Sudeste, o fenômeno intensifica as ondas de calor e as pancadas de chuvas isoladas, principalmente no verão. A temperatura acima da média reforça o alerta para os setores de cana-de-açúcar e principalmente de café, já que podem prejudicar a florada da próxima safra.

No Centro-Norte, a atenção deve ser para estiagem. O estresse hídrico pode dificultar o desenvolvimento das lavouras de grãos e reduzir a produtividade. Para a pecuária de corte, a pouca oferta de chuva pode comprometer a qualidade das pastagens e a engorda do rebanho, aumentando a necessidade da terminação ser feita em confinamento.

A estiagem deve se estender também para a região Norte, com um cenário projetado semelhante ao de 2023, com baixa umidade, risco maior de queimadas, seca dos rios e comprometimento da logística hidroviária.

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