As charretes movidas a cavalo circularam pela última vez em Poços de Caldas na quinta-feira, 12 de março de 2026. A partir de agora, apenas veículos elétricos farão passeios turísticos pela cidade, mas não há prazo definido para o início desse novo serviço.
O secretário municipal de Governo, José Carlos Trinca Zanetti, informou que a implantação das carruagens elétricas ainda depende de estudos. “Um estudo detalhado que precisa ser feito, minucioso, para que a gente possa de fato contemplar esse novo modelo para o turismo de Poços de Caldas”, afirmou.
O serviço de carruagens elétricas foi aprovado pela mesma lei que extinguiu o uso das charretes. A legislação prevê veículos automotores movidos exclusivamente por energia elétrica, com design que remete às carruagens históricas, capacidade para um motorista e até cinco passageiros, além de equipamentos de segurança e acessibilidade. “É uma transição que vai ocorrer para chegarmos às carruagens elétricas, respeitando todo um procedimento já previsto em lei, que é por meio de concessão pública”, declarou o secretário.
Os passeios de charretes em Poços de Caldas ocorreram por 125 anos, conforme relataram charreteiros. A última lei de regularização do serviço, que se tornou uma atração turística da cidade, foi aprovada em 1983. O fim da circulação das charretes foi simbolizado com um ato na Praça Getúlio Vargas, onde ficavam os veículos. O prefeito Paulo Ney e integrantes de ONGs e instituições ligadas à causa animal usaram uma marreta para quebrar o coxo que era utilizado como bebedouro pelos cavalos.
O espaço anteriormente ocupado pelas charretes será transformado em estacionamento rotativo, com vagas de Zona Azul. Cerca de 40 charreteiros receberão uma indenização de R$ 20 mil, dividida em quatro prestações, além de um auxílio de R$ 10 mil para a alimentação dos animais, distribuído ao longo de um ano. A primeira parcela foi paga na sexta-feira, 13 de março de 2026.
“O fim das charretes representou debates intensos por anos. Um debate envolvendo tradição, turismo, causa animal e o direito das pessoas que sobreviviam desse serviço. A administração precisou buscar uma solução equilibrada, através do projeto discutido amplamente junto à Câmara dos Vereadores, que contempla também os direitos dos charretistas”, concluiu Zanetti.


