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Chefe de diplomacia da UE critica Trump e alerta sobre divisão da Europa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Kaja Kallas, chefe da diplomacia e vice-presidente da União Europeia (UE), criticou Donald Trump em uma entrevista ao ‘Financial Times’ nesta sexta-feira (13). Ela afirmou que Trump ‘quer dividir a Europa’ utilizando táticas semelhantes às de adversários da UE.

Kallas mencionou tarifas, ameaças econômicas e a anexação da Groenlândia como estratégias do governo americano para coagir países europeus. A vice-presidente do bloco destacou que o governo de Trump adota táticas que ecoam as de ‘adversários’ da UE, enquanto as capitais europeias tentam evitar uma ruptura com Washington.

A chefe da diplomacia da UE também alertou sobre o crescimento do movimento MAGA, que representa um risco à coesão do continente, pois amplia o apoio a partidos de ‘extrema-direita, populistas e eurocéticos’. Kallas descreveu a relação do bloco com os EUA como ‘complicada’.

Em relação a um documento publicado pela Casa Branca que questiona o apoio militar dos EUA ao continente, Kallas pediu atenção. Ela enfatizou que a resposta da UE deve ser unificada: ‘A nossa resposta não deve ser ‘Ah, vamos tratar com [Trump] bilateralmente’, mas sim… ‘Vamos tratar com eles juntos’… eles não gostam que estejamos juntos porque somos potências iguais quando estamos unidos.’

Kallas reconheceu que as atitudes de Trump reforçam os argumentos em favor de uma Europa mais ‘autônoma’ e menos dependente militarmente dos EUA. No entanto, a ex-primeira-ministra da Estônia alertou que decisões apressadas podem ser contraproducentes.

No curto prazo, Kallas defende apaziguar os ânimos de Trump e trabalhar para reduzir a dependência norte-americana. ‘Precisamos comprar da América porque não temos os ativos, as possibilidades ou as capacidades de que precisamos’, afirmou. ‘Ao mesmo tempo, também precisamos investir na nossa própria indústria de defesa… para não colocarmos todos os ovos no mesmo cesto.’

Ela também comentou sobre o receio de países próximos à Rússia em relação ao afastamento dos EUA da Europa, afirmando que ‘se tomarmos estas medidas fortes, isso também terá um efeito de retaliação, é doloroso. Mas, a longo prazo, penso que precisamos ser fortes, porque é isso que eles também entendem.’

‘Se concordamos com o diagnóstico, também deveríamos concordar com a cura’, concluiu Kallas na entrevista.

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