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Chefe de quadrilha preso em SP criou manual para imprimir armas em 3D

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, foi preso nesta quinta-feira (12) em Rio das Pedras, interior de São Paulo. Ele é apontado como chefe de uma quadrilha que fabricava armamentos com impressoras 3D.

Os investigadores descobriram que Zé Carioca é engenheiro e utilizava um nome falso para publicar testes e orientações sobre a montagem das armas. O suspeito criou um manual de mais de 100 páginas, permitindo que qualquer pessoa com conhecimento em impressão 3D pudesse produzir armas não rastreáveis em poucas semanas, utilizando materiais de fácil acesso e baixo custo.

O Coronel da Polícia Militar de Piracicaba, Cleotheos Sabino de Souza Filho, informou que o armamento era vendido pela internet e chegou a ser oferecido para outros países. Ele afirmou:

““Quadrilha vendia armas até pela internet, eles desenvolveram um projeto de armas, faziam as impressões em 3D, em polímeros plástico. Sabemos que esse indivíduo chegou a oferecer o armamento a outros países. Esse tipo de arma tem uma limitação de disparo por ser feita com plástico. Mas, é funcional, pode matar pessoas.””

A operação, chamada Shadowgun, cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados, com foco principal em Rio das Pedras, onde funcionava uma espécie de fábrica. Na região, foram cumpridos quatro mandados, e um homem e uma mulher foram presos, enquanto outros dois não foram localizados. A polícia também realiza diligências em Ribeirão Preto.

Na ação, foram apreendidas armas de diversos calibres, incluindo pistolas, revólveres, espingardas e rifles, além de coletes, capacetes, munições, rádios, celulares, computadores e equipamentos eletrônicos. Até o momento, além de Lucas, outros três homens foram presos e cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

As investigações, conduzidas pela 32ª DP (Taquara) e pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do CyberGaeco/MPRJ, revelaram que o grupo produzia e comercializava principalmente carregadores de armas de fogo feitos por impressão 3D, além de divulgar projetos de “armas fantasmas”, que não possuem rastreabilidade. Os denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

O esquema envolvia a venda de armas semiautomáticas impressas em 3D, com um manual técnico detalhado e um “manifesto ideológico” defendendo o porte irrestrito de armas. O grupo utilizava criptomoedas para financiar suas atividades e o material circulava em redes sociais, fóruns e na dark web.

A apuração identificou que o material foi negociado com 79 compradores entre 2021 e 2022, muitos dos quais possuem antecedentes criminais. A polícia investiga se o material abastecia o crime organizado, incluindo tráfico de drogas e milícias. Um dos compradores está preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munição.

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