Chico Science, figura central do movimento Manguebeat, completa 60 anos nesta sexta-feira (13). O artista, nascido em Olinda em 1966, se destacou com o álbum ‘Da Lama ao Caos’, lançado nos anos 1990 pela banda Chico Science & Nação Zumbi.
O disco se tornou um manifesto do Manguebeat, movimento que uniu ritmos pernambucanos a influências de rock, hip hop e música eletrônica. A professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luciana Mendonça, o descreve como um ‘cientista dos ritmos’. Ela destaca sua inquietude musical e a formação de várias bandas antes da Nação Zumbi, como Bom Tom Rádio e Loustal.
Luciana afirma que o período anterior à formação da Nação Zumbi foi decisivo para a identidade musical de Chico Science. Ele circulou por diversas sonoridades e se conectou com a música negra e transnacional, moldando sua trajetória.
Chico Science se tornou um aglutinador da cena musical do Manguebeat, dando nome ao movimento e promovendo a diversidade musical do Recife. Ele incorporou produções culturais locais, como a banda Devotos, e valorizou a pluralidade de sonoridades da região.
O Manguebeat, segundo Luciana, não substituiu as tradições locais, mas as valorizou, colocando mestres da cultura popular em evidência. O impacto de Chico Science e da Nação Zumbi se estendeu além do Brasil, com álbuns como ‘Da Lama ao Caos’ e ‘Afrociberdelia’ sendo reconhecidos como alguns dos melhores da década.
A originalidade da sonoridade da Nação Zumbi influenciou o cenário musical brasileiro dos anos 90 e levou o artista a festivais internacionais de World Music. Luciana ressalta que o legado de Chico Science inspira bandas a expressarem suas identidades culturais, promovendo a ideia do ‘faça o que você é’.

