A China anunciou nesta quinta-feira (5) a menor meta de crescimento econômico em décadas, com uma projeção de expansão entre 4,5% e 5% para 2026. O país enfrenta uma demanda interna fraca e um panorama global incerto.
A nova meta segue três anos consecutivos de metas de crescimento ‘em torno de 5%’ de 2023 a 2025, que foram alcançadas apesar de uma recuperação lenta após os rígidos controles da Covid-19 e a ofensiva tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado.
A trajetória de crescimento da China se estabilizou, mas enfrenta desafios como uma prolongada crise imobiliária, queda nos investimentos, consumo morno e deflação. Desde o início da pandemia, o governo não mostrava tanta cautela em suas previsões. Em 2020, as autoridades deixaram de definir uma meta numérica devido à paralisação quase total da economia.
A meta para 2026 é a menor desde que Pequim começou a divulgar esses números, no início dos anos 1990. O premier Li Qiang, durante a abertura da assembleia anual do legislativo chinês, o Congresso Nacional do Povo (NPC), afirmou: “Nos últimos anos, a economia chinesa mostrou-se notavelmente resiliente, avançando mesmo diante de ventos contrários”.
Li Qiang também reconheceu que “raramente, em muitos anos, nos deparamos com um cenário tão grave e complexo, onde choques e desafios externos se entrelaçam com dificuldades internas e escolhas políticas difíceis”. Ele destacou que a economia doméstica continua enfrentando “problemas estruturais profundos”.
Durante a reunião de uma semana, quase 2.900 delegados aprovarão o próximo “Plano Quinquenal” da China, que orientará as prioridades do governo nos próximos anos e consolidará o status do país como potência tecnológica global.
O encontro ocorre semanas antes da visita de Trump a Pequim, onde o líder chinês Xi Jinping deve recebê-lo para uma cúpula de três dias sobre comércio, tecnologia e Taiwan, entre outros assuntos.
Desde o lançamento de suas reformas econômicas no final da década de 1970, a China experimentou quase três décadas de crescimento, em sua maioria de dois dígitos, ultrapassando o Japão em 2010 para se tornar a segunda maior economia do mundo. No entanto, seu ritmo desacelerou na última década, especialmente devido aos rígidos controles da pandemia, enquanto a Índia a superou como a maior economia emergente de crescimento mais rápido.

