China pede cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A China defendeu um cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio. O governo chinês solicitou o fim das ações militares, enfatizando a necessidade de evitar que a turbulência na região cause mais impacto na economia global.

Nesta sexta-feira (6), a porta-voz Mao Ning mencionou o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, onde passa um quinto de todo o petróleo exportado. O estreito conecta os produtores do Oriente Médio aos principais mercados da Europa, das Américas e, principalmente, da Ásia, que consome 80% do petróleo que transita por ali.

A China ressaltou que o Estreito de Ormuz é de interesse estratégico para toda a comunidade internacional, sendo necessário garantir segurança e estabilidade na região. “A China importa 70% do petróleo que consome. O Oriente Médio representa cerca de metade do que ela importa, ou seja, é um parceiro extremamente relevante, afetado diretamente pela guerra na questão do Estreito de Ormuz”, explicou David Zylbersztajn, professor do Instituto de Energia da PUC do Rio.

Nos últimos dois meses, a China observou dois de seus parceiros estratégicos sob ataque direto dos Estados Unidos: o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, e o regime dos aiatolás, no Irã. A China enfrenta um dilema entre buscar novos caminhos econômicos ou aumentar as tensões com os americanos para defender seus aliados e interesses.

Na quinta-feira (5), o primeiro-ministro Li Qiang anunciou uma nova meta de crescimento anual entre 4,5% e 5%, a primeira vez que essa meta fica abaixo dos 5% desde 1991. Ele não mencionou diretamente a guerra no Oriente Médio, mas afirmou que os riscos internacionais estão aumentando e que o ritmo da economia global permanece lento, afetando severamente o multilateralismo e o livre comércio.

Em resposta a esse novo cenário, a China anunciou que destinará 7% do seu Produto Interno Bruto para defesa, superando a média da União Europeia, que é em torno de 2%, e da Otan, que concordou em aumentar para 5% esses gastos até 2025. Anualmente, a China investe cerca de US$ 300 bilhões em defesa e decidiu também aumentar os investimentos em inteligência artificial.

A guerra no Oriente Médio e a dependência do petróleo importado podem complicar os planos de Pequim. Atualmente, a China possui aproximadamente 900 milhões de barris em reservas estratégicas, o que equivale a cerca de três meses de importação. “A China está sendo, de alguma maneira, prejudicada pela paralisia econômica da região. Pode parecer paradoxal, mas a China pode ser um bom mediador nesse processo por interesse próprio”, afirmou David Zylbersztajn.

Por outro lado, a Rússia pode se beneficiar nesse cenário. Nesta sexta-feira (6), o Kremlin declarou que já aumentou a demanda por petróleo russo, citando gigantes asiáticos como a China e a Índia.

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