Chuva em Petrolina faz açude transbordar e submerge figuras rupestres de 6 mil anos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Açude das Pedras, localizado no Distrito de Rajada, em Petrolina, Sertão de Pernambuco, transbordou devido ao alto volume de chuva registrado entre o final de fevereiro e o início de março. O fenômeno submergiu figuras rupestres que têm mais de seis mil anos, mudando a paisagem do local e alegrando os moradores.

Após cerca de seis anos sem transbordar, o açude sangrou, cobrindo as rochas que abrigam as gravuras. O professor Genivaldo Nascimento, que estuda o sítio arqueológico, afirmou que as figuras ficarão submersas por alguns anos. ‘Imaginar que estivemos lá há pouco tempo, agora aquelas gravuras só poderão ser vistas daqui a uns cinco ou seis anos’, disse.

O professor explicou que o ciclo de sangria do açude dura de seis a oito anos. ‘Geralmente, ele não sangra todo ano porque precisa da água que vem de outras barragens. As barragens precisam sangrar para água ir para o Açude, então tem que ter um período de chuva muito forte para que essas barragens sangrem’.

Genivaldo Nascimento é um dos responsáveis por dar um significado científico às gravuras encontradas em Rajada. Em 2015, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou um mapeamento das figuras rupestres em três sítios arqueológicos da região. Antes, as figuras eram vistas pelos moradores como ‘desenhos de índio’. ‘Eu mandei fotos dessas gravuras para o professor Juvandi Santos, da Universidade Estadual da Paraíba, ele confirmou que eram gravuras’, contou Genivaldo.

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Ele destacou que, embora o povo sempre soubesse da existência dos desenhos, a importância científica e histórica deles não era reconhecida. O professor também comentou sobre a falta de preservação e a ação de vândalos, afirmando que a natureza encontrou uma forma de proteger as gravuras históricas. ‘Veja como os movimentos da natureza são show de bala. O ser humano não cuida, aí ela com os movimentos dela, cuida. Agora as gravuras estão protegidas durante cinco anos’.

As rochas do Açude das Pedras guardam figuras feitas há milhares de anos, possivelmente por povos que migraram do Piauí em direção ao rio São Francisco. Genivaldo explicou que o contexto das figuras se perdeu ao longo do tempo, tornando o sítio ainda mais fascinante. ‘As gravuras têm um contexto e esse contexto se perdeu, nós só podemos construir hipóteses de significados’.

As figuras foram esculpidas em rochas magmáticas, que são algumas das mais antigas do planeta. ‘Essas rochas têm em torno de 650 milhões de anos e ajudam a explicar um pouco a história não apenas da região, mas do planeta Terra’, finalizou Genivaldo.

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