Ad imageAd image

Cientistas desenvolvem mini robôs para dissolver pedras nos rins sem cirurgia

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um grupo de cientistas desenvolveu mini robôs capazes de dissolver pedras nos rins dentro do trato urinário, sem necessidade de cirurgia. A tecnologia foi descrita em um estudo publicado na revista científica Advanced Healthcare Materials.

Os dispositivos microscópicos são guiados por campos magnéticos e levam uma enzima até o local do cálculo. Essa enzima altera a química da urina, criando condições para que a pedra comece a se dissolver. Em testes de laboratório, o método conseguiu reduzir cerca de 30% da massa de cálculos de ácido úrico em cinco dias.

A técnica ainda está em fase experimental, mas os pesquisadores afirmam que pode abrir caminho para tratamentos menos invasivos, especialmente para pessoas que formam pedras nos rins com frequência ou que não podem se submeter a cirurgia.

Os mini robôs carregam uma enzima chamada urease. Quando a urease entra em contato com a ureia, ocorre uma reação química que libera amônia e dióxido de carbono, alterando o pH da urina. Isso favorece a dissolução de pedras formadas por ácido úrico, que se desfazem mais facilmente quando o pH da urina aumenta.

Os dispositivos têm cerca de 1 milímetro de espessura e 12 milímetros de comprimento, feitos de um material semelhante a um hidrogel. Eles são guiados até a pedra nos rins por campos magnéticos externos. A engenheira biomédica Veronika Magdanz, da Universidade de Waterloo, no Canadá, explica que os robôs seriam introduzidos por um pequeno cateter na bexiga.

O tempo necessário para dissolver um cálculo pode variar. Cada paciente tem pedras de tamanhos diferentes, e o processo pode levar de alguns dias a algumas semanas. Não é necessário dissolver completamente o cálculo, pois pedras menores que cerca de 4 milímetros podem ser eliminadas naturalmente pela urina.

Após o tratamento, os dispositivos poderiam ser eliminados naturalmente pela urina ou puxados com um ímã externo. Apesar do potencial, a tecnologia ainda está em fase inicial, com testes realizados apenas em urina sintética e modelos artificiais do trato urinário.

Os pesquisadores precisam resolver desafios como garantir que os robôs possam ser visualizados e guiados com precisão dentro do corpo. Segundo Magdanz, os materiais usados são considerados biocompatíveis, mas testes em organismos vivos ainda serão necessários. A aplicação clínica pode demorar, dependendo de financiamento e aprovações regulatórias, podendo levar pelo menos cinco anos até que possam ser testados em humanos.

Compartilhe esta notícia