Cillian Murphy, ator irlandês, falou sobre sua trajetória e a importância da arte em entrevista publicada em 13 de março de 2026. Murphy, que interpretou Thomas Shelby na série Peaky Blinders (2013-2022), não era a escolha óbvia para o papel. Com 1,75 metro de altura e um rosto anguloso, ele estava ciente de que o favorito era Jason Statham. Em uma atitude ousada, enviou uma mensagem ao criador da série, Steven Knight: “Lembre-se, Steve, eu sou um ator”. O apelo funcionou e seu desempenho foi aclamado.
O sucesso de Murphy como Tommy Shelby é coroado pelo filme derivado Peaky Blinders: o Homem Imortal (2026), que chega à Netflix no dia 20 de março. O longa se passa após a série e aborda as tensões do início da década de 1940, com a Segunda Guerra em andamento. A série original, ambientada em Birmingham, retratou a cratera econômica e moral causada pela guerra, mostrando o poder da família Shelby, um clã fictício com inspirações reais.
“Muito do meu trabalho é no campo histórico. Olhando para trás entendemos o presente”, afirmou Murphy. O ator, que tem 49 anos, utiliza a atuação para expressar opiniões e sentimentos, levantando questões complexas. Seu papel em Oppenheimer (2023) lhe rendeu o Oscar de melhor ator, tornando-o o primeiro irlandês a conquistar a estatueta nessa categoria.
Murphy destacou a importância da produção cultural irlandesa, que, apesar das tensões políticas, tem se destacado em Hollywood. Ele mencionou outros talentos como Jessie Buckley e Barry Keoghan, este último parte do elenco de Peaky Blinders: o Homem Imortal, onde interpreta Duke Shelby, filho de Tommy.
O ator também comentou sobre sua escolha de projetos, recusando papéis na Marvel e optando por produções com cunho social, como Pequenas Coisas como Estas (2024) e Steve (2025). Apesar de sua natureza introvertida, Murphy se tornou alvo de memes nas redes sociais, algo que ele lida com desdém.
““A arte deve provocar e levantar questões sem dar respostas definitivas”, disse Murphy ao refletir sobre o impacto de suas obras.”
Ele também comentou sobre a influência do período entre guerras em Peaky Blinders, destacando que a experiência de Tommy Shelby na Primeira Guerra moldou seu caráter. Murphy enfatizou a necessidade de encarar o passado e tratar as cicatrizes políticas profundas que existem tanto na Irlanda quanto no Brasil.
Sobre a recepção de O Agente Secreto, filme brasileiro indicado ao Oscar, Murphy elogiou a obra, afirmando que é inesperada e foge dos padrões atuais de cinema. “O diretor é um autor, e o elenco é incrível”, afirmou.


