Cinco integrantes da seleção feminina do Irã decidiram retirar o pedido de asilo apresentado na Austrália e devem se reunir ao restante da delegação na Malásia. A informação foi divulgada pela imprensa australiana nesta segunda-feira, 16 de março de 2026.
Com essa decisão, apenas duas pessoas — entre seis jogadoras e um membro da comissão técnica que haviam solicitado asilo na semana passada — permanecem na Austrália. O grupo havia expressado temor de possíveis perseguições caso retornasse ao Irã.
As preocupações com a segurança surgiram após atletas da equipe deixarem de cantar o hino nacional durante uma partida da AFC Women’s Asian Cup, realizada no início do mês. As cinco jogadoras que desistiram do pedido de asilo devem viajar para Kuala Lumpur, onde o restante da delegação está hospedado desde que deixou Sydney na semana passada.
O vice-ministro australiano de Relações Exteriores, Matt Thistlethwaite, afirmou à emissora Sky News que o governo respeita a decisão daqueles que optaram por retornar ao Irã, ao mesmo tempo em que continua oferecendo apoio aos dois integrantes que permanecem na Austrália. “Esta é uma situação muito complexa”, declarou Thistlethwaite.
Segundo a Confederação Asiática de Futebol (AFC), a equipe tenta viajar para outro país a partir da Malásia, já que não pode retornar imediatamente a Teerã devido à guerra em curso no Oriente Médio. A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã informou que a seleção deve deixar a Malásia em breve rumo a Teerã, “para ser novamente recebida por suas famílias e por sua pátria”.
O secretário-geral da AFC, Windsor John, declarou a jornalistas em Kuala Lumpur que a equipe busca destinos alternativos, pois não pode retornar imediatamente ao Irã. “Eles estão apenas aguardando conexões de voo. Quando viajarem e para onde irão, terão de nos informar”, disse.
John acrescentou que não conseguiu confirmar relatos de que familiares das jogadoras estariam sofrendo pressão das autoridades iranianas. Segundo ele, as atletas não demonstraram preocupação com a própria segurança. “Conversamos com os dirigentes da equipe, com os treinadores e com o chefe da delegação. Eles estão, na verdade, de bom humor”, afirmou. “Eu pessoalmente os encontrei. Não estão desmotivados e não pareciam com medo.”
A campanha da seleção iraniana na Copa da Ásia Feminina começou quando os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, resultando na morte do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei. A equipe foi eliminada do torneio há uma semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, por permitir que as jogadoras permanecessem no país. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que os Estados Unidos estariam dispostos a recebê-las caso a Austrália não o fizesse.

