Circo de Tradição Familiar é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Circo de Tradição Familiar foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em reunião realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (11).

A manifestação cultural, que será registrada no Livro de Registro das Formas de Expressão, é descrita pelo Iphan como itinerante e organizada em torno de núcleos familiares, com transmissão oral de saberes e técnicas entre gerações.

O Iphan destacou a relevância nacional do Circo de Tradição Familiar, tanto pela promoção de espetáculos quanto pelas práticas lúdicas e pela memória social. A decisão é um reconhecimento à luta das famílias que mantêm essa tradição, sendo o Circo de Tradição Familiar Zanchettini, fundado em 1991 no Paraná, um dos principais representantes desse movimento.

Wanda Cabral Zanchettin e Primo Júlio Zanchettin foram os fundadores do circo, que tem sido mantido por seus dez filhos e filhas e seus descendentes. Desde 1993, Wanda lutou pelo reconhecimento da categoria, e o pedido oficial de registro foi protocolado no Iphan em 2005, mobilizando famílias circenses e instituições públicas.

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““Foi a nossa família quem protocolou, quem trabalhou, foi a Brasília, fez reunião. Tudo fomos nós, mas fizemos na abrangência de todos os circos brasileiros”, disse Edlamar Maria Cabral Zanchettin, filha de Wanda.”

Wanda, que faleceu em 2017, não pôde testemunhar a conquista. Edlamar expressou a importância do reconhecimento, afirmando: “É como um Oscar para o circo brasileiro, porque é para todos”.

A história do circo remonta a 1949, quando Wanda, então com 18 anos, atuava no circo de ciganos Irmãos Marques. Após se casar com Primo Júlio, montaram o Circo Teatro Gávea. Em 1991, após a morte do marido, Wanda renomeou a companhia para Zanchettini em sua homenagem.

Atualmente, a nova geração da família já faz parte do elenco do Zanchettini, mantendo a tradição viva. Edlamar destacou as dificuldades enfrentadas pelo circo tradicional, como a concorrência com apresentações de celebridades e os altos custos impostos pelo Poder Público.

““A gente leva o tradicional. Não temos personagens, não temos celebridades de TV, não temos dinossauros. Nós somos raiz”, afirmou Edlamar.”

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A expectativa é que o reconhecimento como Patrimônio Cultural facilite a busca por apoio e redução de custos, permitindo que o circo continue sua trajetória.

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