A discussão em andamento nos Estados Unidos sobre a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas está se tornando uma armadilha eleitoral para a campanha presidencial de outubro de 2026 no Brasil.
As duas facções são conhecidas pela brutalidade e são responsáveis por crimes graves, incluindo ataques a civis e ações coordenadas de violência. No entanto, segundo a legislação brasileira, CV e PCC não se enquadram como organizações terroristas. A lei antiterrorismo no Brasil exige uma motivação política com o objetivo de desestabilizar ou derrubar o Estado, o que não caracteriza essas facções, que visam o lucro por meio do crime organizado.
Essa diferença jurídica pode ser explorada politicamente. Caso o governo brasileiro explique essa distinção ao governo americano, a narrativa pode ser distorcida no debate interno. A oposição, especialmente o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), pode alegar que o governo Lula estaria “protegendo” o CV e o PCC, mesmo que essa interpretação não tenha respaldo na legislação.
““A movimentação do Itamaraty para tentar demover o governo americano da classificação já começou a ser explorada nas redes sociais”, afirmou um especialista.”
Na campanha de 2022, Jair Bolsonaro utilizou a visita de Lula ao Complexo do Alemão como suposta evidência de proximidade da esquerda com o Comando Vermelho. Narrativas semelhantes associaram o PT e o Foro de São Paulo ao crime organizado na América Latina.
Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington. Vieira também abordou a questão da classificação das facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras.
Diplomatas mencionam preocupações de que os EUA possam usar a classificação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região. Fontes ligadas ao governo Trump confirmam que a proposta, liderada por Marco Rubio, está avançada e deve ser apresentada ao Congresso para ratificação nos próximos dias.


