Clebya Aparecida relata experiências de etarismo no trabalho

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A assistente financeira Clebya Aparecida de Oliveira, de 41 anos, enfrentou uma série de episódios de etarismo em seu local de trabalho em Goiânia entre abril e outubro de 2024. Durante esse período, ela foi chamada repetidamente de ‘véia’ por colegas e pela chefe, o que a levou a entrar com uma ação na Justiça e ganhar a causa.

Clebya relata que os ataques começaram logo após sua contratação, quando uma colega fez perguntas pessoais e, ao saber sua idade, a chamou de ‘véia’. Apesar de pedir para que parassem, a situação se agravou, com a palavra sendo destacada em mensagens no grupo do WhatsApp da equipe.

A gerente da equipe também reforçava esse comportamento, afirmando na frente de todos que não deveria contratar pessoas mais velhas, direcionando o olhar para Clebya. Um episódio marcante ocorreu quando ela se machucou ao tropeçar na escada e a colega comentou: ‘Por isso que não se deve contratar gente véia’. A partir daí, qualquer reclamação dela era motivo para comentários pejorativos.

Clebya se sentiu excluída pelos colegas, que frequentemente saíam para almoçar sem a convidar. Isso a levou a se afastar do grupo, resultando em crises de choro, insônia e falta de apetite. Ela procurou ajuda psiquiátrica para lidar com a situação, que afetou sua saúde emocional e até sua memória.

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Apesar de sempre se vestir adequadamente para o trabalho, com roupas e maquiagem apropriadas, Clebya enfrentou críticas constantes sobre sua aparência, incluindo pedidos para usar batom. Ela descreve esse período como o pior da sua vida.

Clebya começou sua carreira na área tributária e depois se transferiu para o setor financeiro, onde se destacou por sua proatividade, mesmo sem formação formal. Ela sempre trabalhou na área administrativa, lidando com impostos, recursos humanos, contabilidade e cobranças, e se considera bem informada sobre seus direitos.

Atualmente, Clebya trabalha em um novo escritório, onde é respeitada e valorizada pelo seu trabalho. Embora tenha superado a experiência, ela ainda se sente mal ao passar em frente ao antigo prédio onde sofreu discriminação.

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