O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) denunciou nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, o “discurso de ódio racista” promovido pelo presidente Donald Trump e por outros líderes políticos, afirmando que isso tem alimentado graves violações de direitos humanos nos Estados Unidos.
A declaração do CERD critica o uso de “linguagem depreciativa e desumanizante” contra imigrantes, refugiados e solicitantes de asilo. O comitê destacou que esses grupos têm sido retratados como “criminosos” ou como um “fardo” por lideranças políticas, especialmente pelo presidente Trump.
Segundo o CERD, esse cenário promove a intolerância e cria um ambiente que pode incitar a discriminação racial e os crimes de ódio. O comitê enfatizou as ações do ICE, a polícia de imigração americana, que faz uso sistemático de perfilamento racial, utilizando raça, etnia, religião ou origem nacional como base para abordar, revistar ou investigar pessoas.
““(O foco do ICE) em pessoas de origem hispânica/latina, africana ou asiática e os controles de identidade arbitrários deram lugar à detenção generalizada de refugiados, solicitantes de asilo, imigrantes e pessoas percebidas como tais”, denunciou o CERD.”
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a polícia migratória se tornou o braço forte do presidente em seu projeto para realizar “a maior deportação em massa da história” dos Estados Unidos, com pelo menos 675 mil pessoas expulsas do país devido à controversa cruzada contra estrangeiros.
A agência foi responsável por uma longa operação no estado de Minnesota, que terminou após revoltas generalizadas provocadas pela morte de dois cidadãos americanos durante protestos, Renee Good e Alex Pretti, e a prisão de uma criança de cinco anos.
Composto por 18 especialistas independentes, o CERD pediu que o governo dos Estados Unidos assegure que todas as supostas violações cometidas pelo ICE durante suas operações em Minneapolis sejam devidamente investigadas e responsabilizadas.
O comitê também destacou as “condições desumanas” nos centros de detenção para imigrantes, cuja população saltou de 40 mil no fim de 2024 para 73 mil no início de 2026, muitos enfrentando atendimento médico precário. Segundo o CERD, pelo menos 29 detidos morreram sob custódia em 2025, e outros seis em janeiro de 2026.


