Marina Zhukova, psicóloga e diretora do Centro de Transtornos Alimentares da UTHealth Houston, relembra um momento marcante de sua juventude. Aos 17 anos, durante um jantar de boas-vindas na Alemanha, sua mãe anfitriã a questionou diretamente: ‘Você está lutando contra a anorexia?’ Embora não estivesse, a pergunta a fez refletir sobre a importância de abordar diretamente preocupações relacionadas à alimentação.
Zhukova enfatiza que, para alguém que enfrenta distúrbios alimentares, uma pergunta direta pode ser crucial. ‘Eu realmente aplaudo sua vigilância’, afirma. Muitas vezes, as pessoas hesitam em expressar suas preocupações porque acreditam que a pessoa amada não parece ‘doente o suficiente’, mesmo que ainda consiga funcionar no dia a dia.
Ela ensina que é importante observar sinais de alerta, como mudanças comportamentais, pular refeições, eliminar grupos alimentares, fazer desculpas para evitar eventos sociais, e comportamentos compulsivos relacionados ao corpo. Sintomas físicos podem incluir tontura, sensação de frio constante e irregularidades menstruais. ‘Estamos procurando um padrão e uma mudança ao longo do tempo’, diz Zhukova.
Quando se decide abordar o assunto, é essencial escolher um local tranquilo e privado, onde ambos não estejam apressados. Alexandra Kasputis, terapeuta e especialista em transtornos alimentares, recomenda evitar conversas após refeições estressantes. ‘O que você diz é importante, mas como você diz pode determinar se a pessoa se sente segura para ouvir’, explica.
O objetivo da conversa inicial não é diagnosticar, mas sim criar um espaço de apoio. É fundamental expressar preocupação com curiosidade e compaixão, sem julgamentos. Kasputis sugere falar a partir de uma perspectiva pessoal, como: ‘Eu percebi que você parece mais estressado em relação à comida ultimamente.’ Essas observações neutras ajudam a evitar rótulos e motivações.
Se a pessoa se abrir, comece validando suas emoções. ‘Isso parece realmente difícil, e estou tão feliz que você me contou’, sugere Cherie Miller, terapeuta de transtornos alimentares. Depois, você pode perguntar gentilmente se estão abertos a procurar ajuda profissional, lembrando que você estará ao lado deles durante todo o processo.
Se a pessoa insistir que está bem, não force a conversa. Kasputis recomenda reconhecer o limite: ‘Só queria verificar porque me importo. Se você perceber que a comida está se tornando estressante, saiba que estou aqui.’ Mesmo que a conversa inicial não tenha resultados, é importante continuar checando como a pessoa está, enviando uma mensagem clara de apoio.
Comentários que focam no corpo ou que expressam medo podem afastar a pessoa. Miller alerta para evitar dizer que alguém está muito magro, pois isso pode reforçar hábitos restritivos. ‘Quando deixamos o medo liderar, geralmente resulta em mais vergonha e pressão’, diz Kasputis.
Conversas sobre transtornos alimentares podem ser desconfortáveis, mas são essenciais. ‘Amados são o motor da mudança’, conclui Zhukova. Conversas iniciais, mesmo que imperfeitas, podem interromper a solidão e plantar a semente da ajuda.

