No ambiente caótico das redes sociais, publicações enganosas se espalham rapidamente. O avanço de ferramentas de inteligência artificial tem intensificado as ameaças de desinformação e golpes online, permitindo a falsificação de rostos, vozes e marcas em poucos cliques. O crescente uso de ‘deepfakes’ na internet, especialmente em anos eleitorais, desafia a fiscalização da Justiça e preocupa pesquisadores.
Especialistas em combate à desinformação apontam que o baixo índice de letramento digital no Brasil é um dos principais obstáculos. Muitos brasileiros enfrentam dificuldades para realizar tarefas digitais e distinguir entre conteúdo real e fictício. Para enfrentar esse problema, a Agência Lupa lançou um curso de investigação digital, que ensina usuários a identificar elementos falsos em imagens e vídeos e a verificar a veracidade das informações antes de compartilhar.
Victor Terra, editor da Academia Lupa, destaca que a indústria da desinformação online se aproveita do apelo emocional, dos algoritmos das plataformas e da falta de conhecimento dos internautas. Muitas vezes, quem compartilha conteúdo falso age movido por um viés de confirmação, sem perceber que está desinformando seus contatos. ‘Muitas pessoas já percebem que a desinformação está cada vez mais comum, mas ainda não entendem os elementos que devem checar para detectá-la’, afirma.
A proposta do curso é formar ‘exércitos de checadores’ na internet, capacitando usuários a identificar informações falaciosas e alertar outros sobre mentiras. Terra sugere alguns pontos a serem verificados antes de compartilhar uma notícia: apelo emocional na manchete, identidade visual do portal de notícias, endereço (URL) da publicação e nome do autor da reportagem.
Raphael Kapa, coordenador de Educação da Lupa, ressalta que classificar a desinformação é essencial para interromper o compartilhamento de fake news. ‘Quando as pessoas conseguem nomear o que estão vendo, deixam de reagir apenas pela emoção e passam a analisar o conteúdo de forma crítica’, explica.
Entre as táticas mais comuns para disseminar mentiras na internet, Kapa lista sete formatos de desinformação: Sátira ou paródia, Falsa conexão, Conteúdo enganoso, Falso contexto, Conteúdo impostor, Conteúdo manipulado e Conteúdo fabricado. Cada um desses formatos pode enganar usuários se não forem analisados criticamente.


