A síndrome de burnout é um problema de saúde mental cada vez mais comum no ambiente de trabalho. Ela é caracterizada por um estado de esgotamento físico e emocional, causado pelo estresse crônico e intenso.
Os psiquiatras Rodrigo Bressan e Gustavo Estanislau, da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto Ame Sua Mente, explicaram que identificar os sinais precocemente pode evitar que a condição se agrave. O diagnóstico do burnout requer uma análise da relação do indivíduo com o trabalho.
Os principais pilares que caracterizam a síndrome incluem a exaustão, o distanciamento do ambiente profissional e a queda de produtividade. Uma pessoa que antes tinha uma relação produtiva e prazerosa com suas atividades laborais pode passar a demonstrar um comportamento distanciado e uma sensação de perda de eficiência.
Entre os sinais de alerta mais comuns estão problemas para dormir, já que a pessoa não consegue relaxar, e um desgaste emocional significativo. “É bastante comum que a pessoa não consiga controlar impulsos, se emocione muito fácil com algumas coisas, se irrite com muita facilidade e com muita intensidade por outras”, explicou Estanislau.
A dificuldade de concentração e o isolamento social também são frequentes. Esse isolamento começa no ambiente de trabalho e pode se estender para outros círculos da vida pessoal.
Alguns traços de personalidade tornam certas pessoas mais suscetíveis à síndrome. Características associadas a alto desempenho profissional podem ser fatores de risco. Pessoas extremamente dedicadas e com elevado senso de idealismo tendem a ser mais vulneráveis, assim como aquelas que dependem muito do reconhecimento externo pelo seu trabalho.
O auto-perfeccionismo e a rigidez para resultados também aumentam o risco de desenvolver burnout, intensificando o nível de estresse. Portanto, é fundamental criar ambientes de trabalho que ofereçam feedback adequado e estejam atentos aos sinais de esgotamento apresentados pelos colaboradores.
A prevenção passa pelo olhar atento dos colegas de trabalho. Mudanças de comportamento, como irritabilidade incomum ou isolamento, devem servir como alerta para iniciar um diálogo com a pessoa que pode estar desenvolvendo a síndrome. O suporte social e a identificação precoce são essenciais para evitar que o burnout evolua para quadros mais graves de saúde mental.


