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Ciência

Comportamento inusitado de supernova intrigante é estudado por cientistas

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de março de 2026 13:00
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A supernova SN 2024afav, localizada a mais de um bilhão de anos-luz da Terra, chamou a atenção de astrônomos devido ao seu comportamento incomum. Ao invés de simplesmente aumentar de brilho e depois desaparecer, como ocorre na maioria das supernovas, o objeto apresentou um padrão de “piscadas” no espaço.

Esse fenômeno foi registrado durante o acompanhamento da supernova, que é um tipo raro de explosão conhecida como supernova superluminosa, podendo ser dezenas de vezes mais brilhante que uma supernova comum. Ao analisar dados de uma rede internacional de telescópios, os pesquisadores notaram que o brilho da supernova não era estável, apresentando oscilações periódicas, como se estivesse pulsando.

Os picos de luminosidade se tornaram mais rápidos com o tempo, levando os cientistas a suspeitar que algo extremamente energético estivesse no centro da explosão. Segundo um estudo publicado na revista Nature, a explicação mais provável envolve um magnetar, uma estrela de nêutrons extremamente densa formada quando uma estrela massiva colapsa.

Os magnetares são objetos com campos magnéticos trilhões de vezes mais fortes que o da Terra e concentram mais massa que o Sol em uma esfera de cerca de 20 quilômetros de diâmetro. Joseph Farah, estudante de doutorado do Las Cumbres Observatory e autor principal do estudo, afirmou:

““Simplesmente não existia nenhum modelo capaz de explicar um padrão de oscilações que ficam cada vez mais rápidas com o tempo.””

Os pesquisadores sugerem que parte do material da estrela destruída pode ter caído de volta em direção ao magnetar, formando um disco de matéria ao seu redor. Esse disco, que não estaria alinhado com o eixo de rotação da estrela, passaria a oscilar no espaço, um movimento conhecido como precessão.

Esse efeito é previsto pela teoria da relatividade geral e é chamado de precessão de Lense-Thirring. A rotação rápida do magnetar distorce o espaço-tempo ao seu redor, fazendo com que o disco de matéria “balance” como um pião. À medida que o disco oscila, ele pode bloquear ou redirecionar parte da energia liberada pelo magnetar, resultando em variações periódicas no brilho da supernova.

Com o disco se aproximando gradualmente do objeto central, o movimento acelera, explicando por que as oscilações também se intensificam com o tempo. Para os pesquisadores, esse comportamento oferece pistas sobre o que ocorre no interior dessas explosões cósmicas.

Supernovas superluminosas são fenômenos enigmáticos da astrofísica, conhecidos há pouco mais de duas décadas. Embora alguns modelos sugerissem que poderiam ser alimentadas por um magnetar recém-formado, faltavam evidências diretas que conectassem esse objeto à evolução do brilho dessas explosões. O novo estudo indica que esse mecanismo pode realmente estar em ação.

TAGGED:AstronomiaCiênciaexplosões estelaresJoseph FarahLas Cumbres Observatorymagnetarsupernova
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