A comunidade quilombola de Algodoal, localizada em Curuçá, nordeste do Pará, inaugurou sua primeira turma de Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A aula inaugural ocorreu recentemente, marcando o início das atividades para moradores que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos na idade regular.
A turma é composta por 18 alunos e funciona nas dependências da Escola Municipal de Algodoal, atendendo jovens e adultos de 18 a 65 anos da própria comunidade. Antes da criação dessa turma, os moradores que desejavam continuar os estudos precisavam se deslocar para outras localidades do município, o que dificultava o acesso à educação.
A comunidade de Algodoal está situada a cerca de 22 quilômetros da sede de Curuçá, na Ilha de Fora. O território é formado por descendentes de moradores do antigo mocambo do Mocajuba, considerado um dos maiores quilombos do nordeste paraense, conforme informações do historiador Vicente Salles.
A iniciativa de implantar a turma de ensino médio visa ampliar o acesso à educação em comunidades tradicionais e reduzir as dificuldades de deslocamento enfrentadas pelos moradores. Regina Assunção, de 55 anos, uma das alunas, expressou sua satisfação:
““Esse estudo para a nossa comunidade é um orgulho muito grande para nós que moramos aqui. Os antigos não chegaram a reconhecer, mas nós estamos vivendo. O que eu não vi vocês vão ver, nós estamos vendo a nossa comunidade ter realizado o que nunca foi realizado antigamente, mas agora nós temos. Esse é o estudo do primeiro ano. Nós somos muito gratos a todos.””
A aula inaugural foi conduzida pelo professor Paulo Henrique Barbosa, diretor da Escola Estadual Raimunda Sena, unidade responsável pela turma por meio de um anexo rural. A comunidade de Algodoal recebeu o reconhecimento oficial como quilombola em 2025 pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura do Brasil. Esse reconhecimento garante o acesso a políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais.
Para os moradores, a oferta do Ensino Médio dentro da própria comunidade representa uma oportunidade de ampliar a escolarização e criar novas perspectivas para jovens e adultos do território.


