A comunidade ribeirinha de Sacaí, localizada no Baixo Rio Branco, em Roraima, tem se destacado na proteção das tartarugas-da-Amazônia. Com cerca de 250 moradores, a comunidade se tornou aliada na preservação dessa espécie, que depende do rio para sobreviver.
A transformação começou com as ações do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que atua na proteção das áreas de desova das tartarugas há 47 anos. O projeto investe em monitoramento de ninhos, soltura de filhotes e ações educativas nas escolas da comunidade.
“O que a gente vê hoje é uma comunidade muito mais consciente do valor desses animais pro equilíbrio desse riozão”, afirmou Josué Moreira, de 51 anos, presidente da associação comunitária de Sacaí.
““A comunidade desconhecia o trabalho do PQA e a importância das tartarugas. Então, quando a gente traz essas informações, eles começam a enxergar de outra forma”, disse Jéssica Góes, fiscal ambiental de Caracaraí.”
Este ano, 150 mil tartarugas-da-Amazônia devem nascer nas praias do Baixo Rio Branco, um número recorde para Roraima. O projeto também atua contra predadores e o tráfico de tartarugas, combatendo criminosos conhecidos como ‘tartarugueiros’.
As casas em Sacaí são construídas sobre palafitas, e a comunidade não possui ruas, sendo acessada apenas por barco. Os moradores vivem principalmente da pesca e da agricultura. Josué Moreira destacou que a comunidade deixou de ajudar os traficantes de tartaruga. “Hoje posso dizer que 99% das pessoas mudaram”, afirmou.
As atividades educativas nas escolas têm despertado a curiosidade das crianças. Nericiana de Moura, secretária da escola, comentou que os alunos aprendem sobre a importância de proteger os quelônios e compartilham essas informações com suas famílias.
““Foi muita alegria e emoção, porque eu nunca tinha participado de algo assim. Aprendi que as tartarugas são importantes para a natureza”, disse Maria Isabela Sampaio, estudante de 12 anos.”
A presença constante do projeto e o diálogo com os moradores têm promovido uma nova relação entre a comunidade e as tartarugas. Mário Jorge Oliveira, pescador de 47 anos, ressaltou a importância da preservação para as futuras gerações.
O PQA, que já salvou cerca de 100 milhões de filhotes no Brasil, é uma iniciativa do Ibama em parceria com a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh). A tartaruga-da-Amazônia está saindo da lista de animais ameaçados de extinção, resultado do trabalho conjunto da comunidade e do projeto.

