A condenação de Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e meio de prisão pelo envenenamento dos enteados gerou reações de dor, desabafo e alívio entre familiares e amigos de Fernanda Cabral, jovem de 22 anos que morreu após ingerir comida contaminada com “chumbinho” em 2022. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro e terminou na manhã de quinta-feira (5).
Após o veredito, parentes e amigos usaram as redes sociais para expressar seus sentimentos. A mãe das vítimas, Jane Cabral, compartilhou uma mensagem escrita pela melhor amiga de Fernanda, Mariana Dias, que acompanhou o julgamento.
“”Depois de 16h de audiência nós conseguimos! Nada vai trazer a nossa Fefa de volta, mas hoje o coração fica um pouco mais aliviado em saber que a Justiça foi feita. A culpada de ter acabado com a vida da minha melhor amiga e de todos nós está condenada”.”
O filho da ré, Lucas Mariano Rodrigues, que depôs como testemunha de acusação, também se manifestou nas redes sociais. Ele afirmou:
“”Única e última vez que venho falar disso aqui. A justiça foi feita! Pra mim, o caso sempre foi bem esclarecido e sempre dormi de cabeça tranquila. Hoje, a história acabou e meu laço foi rompido definitivamente. A gente colhe o que a gente planta”.”
Durante o julgamento, Lucas e sua irmã, Carla Mariano, depuseram contra a própria mãe, confirmando que Cíntia havia confessado os crimes. O namorado de Fernanda na época do crime, Pedro Lopes, comentou o resultado do julgamento, expressando alívio após anos de espera. Ele disse:
“”Vitória para todos que lhe amam. Após 4 anos de espera, a justiça está feita. Nada vai trazer a Fernanda de volta, mas minimamente o coração fica mais tranquilo em saber que uma ‘pessoa’ dessa terá o mínimo de punição por tal ato”.”
A mãe de Pedro, Lôra Lopes Costa, também se manifestou:
“”Nada vai trazer mais a vida da nossa Fefa, ela foi ceifada por essa desumana, mas saber que ela foi condenada é fazer justiça e acreditar na Justiça. Que minha ‘filhanora’ consiga seguir na luz, assim como ela era pra todos nós”.”
O julgamento, que começou na tarde de quarta-feira (4) e atravessou a madrugada, durou quase 16 horas. Os jurados deliberaram por menos de meia hora antes de anunciar a condenação. A juíza Tula Corrêa de Mello leu a sentença pouco antes das 7h de quinta-feira.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, Cíntia Mariano envenenou os dois enteados em ocasiões diferentes, em 2022. A acusação afirma que ela colocou “chumbinho” na comida servida aos filhos de seu companheiro, Adeílson Jarbas Cabral. O primeiro caso ocorreu em março de 2022, quando Fernanda passou mal após comer na casa onde o pai vivia com Cíntia. Ela foi hospitalizada e morreu após quase duas semanas.
Dois meses depois, Bruno Carvalho Cabral, então com 16 anos, também passou mal após almoçar na casa do pai. Ele percebeu um gosto estranho no feijão e notou “pontinhos azuis” na comida. O adolescente foi socorrido e sobreviveu. A suspeita de envenenamento foi investigada pela Polícia Civil, que encontrou evidências de intoxicação por carbamato, substância presente no “chumbinho”. Cíntia foi presa em maio de 2022 e denunciada por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
O júri popular foi realizado entre os dias 4 e 5 de março de 2026, no III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Após quase 16 horas de sessão, os jurados condenaram Cíntia pelos dois crimes, e a juíza fixou a pena em 49 anos e meio de prisão. A defesa informou que irá recorrer da decisão.

