Uma possível escalada do conflito no Oriente Médio pode impactar significativamente os setores aéreos e portuários no Brasil. O aumento nos custos operacionais, especialmente no preço do combustível utilizado na aviação, pode resultar no encarecimento das passagens aéreas.
Nesta terça-feira (17), os preços do petróleo fecharam em alta, em meio a incertezas sobre a navegabilidade no Estreito de Ormuz, uma rota crucial que transporta cerca de um quinto do petróleo mundial. Essa situação se tornou um foco para o mercado após a forte redução dos fluxos e cortes de produção na região.
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o combustível representa mais de 25% dos custos das companhias aéreas. A tarifa média anual de passagens aéreas fechou 2025 em R$ 647,67, após uma queda acumulada real de 10,9% desde 2022.
A alta nos preços pode ocorrer após um recorde para o setor aéreo no Brasil, que registrou em 2025 o melhor desempenho da sua história. Dados da ANAC mostram que o volume de passageiros domésticos atingiu 101,2 milhões, superando pela primeira vez a marca de 100 milhões, com um crescimento de 8,4% em relação a 2024 e de 5,3% sobre o recorde anterior, de 2015.
No mercado internacional, a movimentação chegou a 28,4 milhões de passageiros, um crescimento de 13,4% em relação a 2024, mantendo a trajetória de alta iniciada em 2021. Charluan Gamballe, CEO da GCS Capital e especialista em Oriente Médio, destacou que, caso a tarifa média suba 2%, ela chegaria a R$ 660,62, resultando em R$ 1,68 bilhão adicionais, considerando 129,6 milhões de passageiros anuais. Se a alta for de 5%, a tarifa média iria para R$ 680,05, impactando R$ 4,20 bilhões.
No exterior, a Air France-KLM anunciou um aumento de €50 por viagem de ida e volta em rotas longas, enquanto a Air New Zealand elevou tarifas domésticas, tanto de curta quanto de longa distância, após a disparada do preço do combustível.
O conflito no Oriente Médio se intensificou com os Estados Unidos e Israel iniciando uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano. O regime iraniano começou a retaliar contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo (29), a mídia estatal iraniana anunciou que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas dos ataques. Após essa notícia, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da sua história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”. Em resposta, o ex-presidente Donald Trump ameaçou o Irã, afirmando que “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. Trump também declarou que os ataques continuariam “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.

