Conflitos na adolescência podem impactar saúde décadas depois, indica pesquisa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo recente sugere que conflitos durante a adolescência podem deixar marcas no organismo por décadas. A pesquisa, divulgada pela Associação Americana de Psicologia, acompanhou 121 estudantes dos 13 aos 30 anos.

Os resultados indicam que adolescentes que frequentemente agrediam os outros apresentaram envelhecimento biológico acelerado e índice de massa corporal (IMC) mais elevado na vida adulta. “Este estudo destaca as potenciais consequências duradouras para a saúde decorrentes dos desafios sociais que surgem no início da adolescência”, afirmou Joseph Allen, autor principal da pesquisa e professor da Universidade da Virgínia.

O estudo analisou 46 meninos e 75 meninas de comunidades suburbanas e urbanas do sudeste dos Estados Unidos. Aos 13 anos, os adolescentes responderam a questionários sobre comportamentos agressivos, enquanto os pais relataram o nível de conflito em casa e colegas avaliaram a convivência com eles.

Aos 30 anos, os pesquisadores mediram o envelhecimento biológico dos participantes, analisando 12 biomarcadores sanguíneos, incluindo proteína C-reativa, glicemia, colesterol, pressão arterial e contagem de glóbulos brancos. “Usamos um algoritmo que combina todos esses marcadores e fornece uma estimativa da idade biológica de uma pessoa”, explicou Allen.

Os resultados mostraram que a agressividade na adolescência, por si só, não foi suficiente para explicar o envelhecimento acelerado. A continuidade dos problemas nos relacionamentos ao longo da vida teve um papel significativo. Adolescentes mais agressivos eram mais propensos a manter padrões de conflito, como discussões persistentes com os pais e dificuldades em relações próximas na vida adulta.

Os pesquisadores notaram que a maioria dos participantes que apresentaram aceleração biológica eram homens. Allen ressaltou que “este estudo não prova que a agressividade na adolescência cause diretamente um envelhecimento mais rápido”, reconhecendo que outros fatores podem influenciar.

Os autores também destacaram limitações do estudo, como a amostra relativamente pequena e a concentração em uma região específica dos Estados Unidos, o que limita a generalização dos resultados. Embora o estudo tenha acompanhado os participantes por quase duas décadas, não é possível afirmar que a agressividade cause diretamente o envelhecimento acelerado.

Além disso, a pesquisa levanta questões sobre o que pesa mais: atitudes hostis, comportamentos agressivos ou a combinação de ambos. Allen concluiu que os relacionamentos na adolescência, especialmente padrões de conflito e agressão, podem ter implicações significativas para a saúde física a longo prazo.

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