Uma conselheira tutelar protocolou um pedido ao Ministério Público para investigar a secretária municipal de Desenvolvimento Social de São José do Rio Preto (SP), Sandra Reis, por supostas ofertas de pagamento visando uma aproximação política com a atual gestão. O documento foi apresentado na quinta-feira, 5 de março de 2026, e solicita apuração por coação, tentativa de cooptação política e oferta de vantagem indevida, além de possíveis atos de corrupção e improbidade administrativa.
Segundo a representação, os fatos ocorreram em uma reunião no dia 16 de dezembro do ano anterior, na sala de Sandra Reis. A gravação da conversa foi obtida e divulgada nesta segunda-feira, 9 de março de 2026. Em nota, Sandra Reis afirmou que a publicação nas redes sociais apresenta um recorte da situação real, e que o conteúdo foi divulgado de forma descontextualizada e sensacionalista, podendo induzir a interpretações equivocadas.
A conselheira Janaína Albuquerque relatou ao MP que o encontro foi marcado e que Sandra Reis pediu que ela comparecesse sozinha. Por precaução, Janaína gravou a conversa, que foi anexada como prova à representação. Durante a gravação, a secretária menciona uma ação judicial movida pelo prefeito Coronel Fábio Candido (PL) contra Janaína, sugerindo a possibilidade de interromper ou encerrar o processo.
Na ação, o prefeito incluiu a conselheira, alegando que ela era dona de uma página em uma rede social que divulgou a compra de uma casa, paga à vista no valor de R$ 500 mil, pelo irmão do prefeito, no ano anterior. Janaína negou qualquer vínculo formal com a página. A proposta feita por Sandra Reis foi associada a um possível alinhamento político com a gestão municipal, mencionando a possibilidade de aproximação da conselheira com o grupo político da administração.
Na gravação, Sandra Reis diz: “Tô tentando mediar algumas coisas, tô tentando ver pessoas boas para trazer para perto, para gente fazer um plano de ação para o governo, como a gente tá no governo e, agora, tá no momento de a gente crescer no governo nesses últimos três anos.” O documento enviado ao MP também menciona um possível pagamento de R$ 5 mil, que poderia configurar uma oferta de vantagem para atrair a aproximação política.
Além disso, a secretária teria afirmado que o prefeito “está com a máquina”, o que Janaína interpretou como uma forma de pressão ou intimidação. O promotor Sérgio Clementino, responsável pela representação no MP, informou que será instaurado um procedimento de apuração nas esferas civil e criminal.
A Prefeitura de Rio Preto declarou que o prefeito desconhecia o assunto e que a ação foi uma iniciativa pessoal da secretária, sem intenção de intimidar qualquer pessoa. A nota de Sandra Reis destaca que as manifestações feitas no encontro ocorreram em caráter pessoal e não têm relação com a administração pública.
Em fevereiro de 2026, Sandra Reis também foi alvo de críticas por um áudio em que convocava servidores da prefeitura a criar uma “milícia” na internet para divulgar notícias positivas da gestão do prefeito Coronel Fábio Candido. A declaração gerou questionamentos devido ao uso do termo “milícia”, associado a grupos armados ilegais, e pela sugestão de mobilização de servidores públicos para defender politicamente a gestão municipal.


