A construção de quiosques na praça central de Uruana tem gerado reações entre moradores e fiéis católicos nas últimas semanas.
O projeto, conduzido pela prefeitura, prevê a instalação de estruturas de concreto no entorno da Igreja Matriz de São Sebastião, símbolo histórico e religioso da cidade. As obras, atualmente em andamento, fazem parte de um projeto de requalificação urbana, mas diferem de intervenções anteriores.
Segundo a gestão municipal, os quiosques serão explorados por comerciantes e custeados com recursos privados. A mudança no posicionamento das estruturas é o principal ponto de contestação.
Diferentemente dos quiosques antigos, que estavam nas bordas da praça e eram feitos de material leve, as novas construções ocupam uma área próxima à igreja, o que, segundo moradores, compromete a visibilidade do templo, a circulação de fiéis e o ambiente de recolhimento religioso.
A Igreja Matriz de São Sebastião, cuja origem remonta à década de 1930, é considerada o principal marco histórico de Uruana e um dos cartões-postais da região do Vale de São Patrício. Missas, procissões e celebrações tradicionais, como o Corpus Christi, ocorrem regularmente no local.
A repercussão do projeto levou à mobilização de parte da comunidade. No dia 16 de março, moradores organizaram uma reunião e protocolaram um pedido junto ao Ministério Público de Goiás solicitando a paralisação imediata das obras.
Na sequência, o promotor de Justiça Rodrigo Corrêa Batista notificou a prefeitura, estabelecendo prazo de cinco dias úteis para manifestação sobre o caso. Além disso, reuniões com representantes da Igreja Católica também foram realizadas.
O pároco local e o conselho paroquial reconheceram falhas na comunicação com a comunidade, mas mantiveram apoio ao projeto. A Diocese de Goiás, por meio de seu representante legal, informou que houve autorização prévia para a obra, embora tenha sido sugerida a paralisação temporária diante da controvérsia.
Uma nova reunião entre representantes da comunidade e da Diocese está prevista para o dia 30 de março, por videoconferência, na tentativa de buscar um consenso.

