As contas de luz no Brasil devem aumentar em média 8% em 2026, conforme projeções da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O percentual é quase o dobro da estimativa do mercado para o IPCA, que é de 4,1%, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
A previsão foi apresentada pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, em entrevista. Ele afirmou:
““Para 2026, a nossa previsão é que as tarifas de energia elétrica cresçam, em média, 8%. É maior que o IPCA e o IGPM e preocupa.””
Esse aumento ocorre em um contexto de reajustes já em vigor em diversas regiões do país. Em janeiro, foi aprovado um reajuste médio de 24,13% nas tarifas da Roraima Energia. Recentemente, a Aneel aprovou um aumento de 8,6% para os clientes da Light e de 15,6% para os da Enel Rio.
De acordo com a agência, o principal fator para a elevação das tarifas é o aumento dos encargos do setor elétrico, especialmente os relacionados à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que é financiada pelos consumidores e subsidia políticas públicas do setor.
Feitosa destacou que os encargos têm crescido em um ritmo muito superior ao da inflação e das tarifas de distribuição. Ele afirmou:
““De 2011 a 2026, nossa previsão é que os encargos setoriais crescerão 300% quando comparados, por exemplo, com a tarifa de distribuição média, em torno de 158%.””
Além disso, a análise técnica da Aneel indica que os encargos setoriais, custos de energia, transmissão e ajustes financeiros são responsáveis pelo aumento projetado para 2026. Os dados mostram que os componentes financeiros representam cerca de 3,8 pontos percentuais do efeito tarifário médio.
A Aneel ressalta que a estimativa pode sofrer alterações ao longo do ano, dependendo de revisões tarifárias das distribuidoras, condições hidrológicas e mudanças em custos setoriais. A agência também está considerando medidas para reduzir parcialmente o impacto tarifário em algumas regiões, utilizando recursos da repactuação de pagamentos de geradoras.

